Deus é livre


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Ninguém gosta de ser manipulado. Qualquer tipo de manipulação se assemelha à escravidão que o ser humano rejeita a todo custo. Deus não pode ser manipulado, pois ele é a plena liberdade. O homem não pode ser manipulado já que foi criado “livre” para amar e ser feliz. A palavra de Deus que será proclamada nas missas do próximo domingo são colhidas dos seguintes livros da Bíblia: Números, capítulo 11; Tiago capítulo 5 e São Marcos capítulo 9. O livro dos Números trata da organização e marcha do povo de Deus rumo à conquista da terra prometida. O capítulo 11 apresenta alguns obstáculos que impedem essa marcha: a falta de comida, a queixa de Moisés contra Javé, etc. Diante das dificuldades Moisés diz que prefere morrer. Javé responde à queixa de Moisés, e pede que separe setenta anciãos do povo, a fim de repartir com eles os encargos de liderança. Nesses setenta anciãos Javé põe um pouco do espírito de Moisés. Assim a liderança é partilhada e as decisões tomadas em conselho. Este episódio nos sugere alguns ensinamentos. Antes de tudo o desânimo que pode tomar conta de nós quando após muitos anos de trabalho não percebemos nenhuma transformação nas pessoas. Não é permitido esmorecer, o correto é animar-se, pois o caminho é longo. Também nem sempre sabemos dividir as tarefas com os outros. Somos repletos de atividades e no fim ficamos esgotados e conseguimos realizar um pouco do tudo que é necessário. É sempre bom saber dividir e confiar nos outros. Outro perigo é ser “fanático”: a ação de Deus é como o vento, isto é, sopra onde quer, nunca pode ser enclausurado. Onde quer que haja o bem, o amor, a paz, a alegria ali está em ação o Espírito de Deus. A segunda leitura é colhida da carta de São Tiago. Ele fala de forma dura sobre o acúmulo de riquezas. Os bens materiais não são uma coisa ruim. Tiago não está enfurecido contra a riqueza, não quer que seja destruída; ele condena aqueles que não a dividem com os outros, aqueles que a acumulam nos seus armazéns e as usam só para si mesmos. São Tiago fala sobre a mais comum origem da riqueza; quase sempre é acumulada mediante a prática de injustiças em relação aos mais fracos. A severidade de Tiago é compreensível se levamos em conta que os bens deste mundo pertencem a todos e não só a alguns. O evangelho vai responder à pergunta: quem está conosco e quem é contra nós? Com pequenos exemplos Jesus vai respondendo. Para ele qualquer gesto de solidariedade, por mais insignificante que possa parecer, não vai ficar sem receber a recompensa. A solidariedade não se mede pela grandeza do gesto realizado, mas pelo sentimento profundo de querer partilhar o pouco que se tem, mesmo que esse pouco seja simplesmente um copo de água. Ele também ensina sobre o perigo da competição. A competição está associada ao poder e à dominação que divide o mundo entre “grandes” e “pequenos”. Jesus quer que cada um esteja sempre atento aos riscos que corre e assim pecar menos. Quando nos fala sobre a mutilação quer nos ensinar a romper radicalmente com tudo que torne a pessoa um senhor despótico e tirano. Não se trata, pois, de mutilar-se para entrar na vida, mas de eliminar, pela raiz, todos os males que geram discriminação e opressão PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca

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