Aos três anos de idade, Cláudia Spereta começou a sentir sintomas estranhos como desmaios, vontade freqüente de urinar e sede constante. Levada ao médico, foi constatada que o que fazia à pequena tanto mal era a queda da taxa de glicemia no sangue ou hipoglicemia. O diagnóstico era de diabetes tipo 1, que ocorre normalmente em jovens até os 24 anos. A partir da descoberta, sua mãe teve de realizar uma verdadeira revolução dentro de casa, começando por sua alimentação. Tudo que contivesse açúcar e gordura foi banido. Isso, no final dos anos 80, quando a oferta de produtos diet no Brasil ainda era coisa rara. “Foi uma fase muito difícil de minha vida”, diz a professora de educação física.
A duras penas Cláudia Spereta aprendeu a lidar com as privações e foi além. Estudou meios de manter a taxa glicêmica do sangue a patamares satisfatórios através de exercícios físicos anaeróbios. Concluiu em seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) que isso era possível com a associação de musculação à alimentação balanceada, além dos exercícios aeróbicos, como caminhada e corrida.
Os jovens torcem o nariz. Muita gente acha que é doença de “velho”. Mas, como explicar o caso em uma criança de apenas 3 anos de idade. “É errado acreditar nisso. O Ministério da Saúde tem um estudo que indica que a população brasileira tem 1 jovem até 24 anos de idade com diabetes a cada 20. É um número alto”, disse a professora. Nesta faixa etária, existem pelo menos 200 pacientes orientados mensalmente pela Casa do Diabético de Franca, que oferece tratamento pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Sem contar com os conveniados de empresas médicas particulares”, explica a assistente social da Casa, Miriam Lúcia Máximo Leite.
A organização oferece tratamento multidisciplinar com endocrinologista, enfermeiros, nutricionista, assistente social e psicólogo. Tantos profissionais juntos para o tratamento se explica pela necessidade de se educar o paciente para que leve uma vida saudável, em todos os níveis. “Seja na alimentação ou no cuidado com machucados e com as aplicações diárias de insulina, os profissionais ajudam o paciente a viver bem sem correr riscos desnecessários”, explica Miriam. A diabetes não tem cura.
RISCOS
Correr riscos é algo inerente ao diabético. Diariamente o doente se depara com situações que mais parecem provações. É “difícil evitar os doces, por exemplo. Tem sempre aquela escapadinha”, disse Cláudia Spereta, que depois das “transgressões” sente um enorme peso na consciência. Comer doce para um diabético pode ser perigoso. “Por isso, me controlo. Não exagero, pois sei que não é nada bom para mim”.
Por falta da substância (um hormônio) chamada insulina, quem tem essa doença não consegue “aproveitar” o açúcar para as funções do corpo e ele se acumula no sangue. A pessoa fica com sangue doce por causa da diabete e se não controla o problema pode até ficar cega, ter um enfarto ou problemas nos rins, entre outras complicações.
Além dos rígidos controles com a saúde, é aconselhável que o diabético também se identifique para casos de baixas drásticas de níveis de glicemia no sangue em locais públicos. Nesse caso, o problema pode ser confundido com embriaguez alcoólica ou outros problemas, e se o tratamento correto não for instituído rapidamente, o paciente pode entrar em coma e até mesmo evoluir para o óbito. “Basta ser um bilhete na bolsa ou carteira dos pacientes contando a informação de que é diabético”, explica Cláudia Spereta.
SERVIÇOS
Casa do Diabético: 3722-1777. Cláudia Spereta: 3720-2375.
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