No futebol, algumas pessoas preferem mais olhar a jogar. Esses são os “olheiros”, que encontram promessas dentro campo e as levam para grandes clubes. A principal busca é por garotos novos, porque a menor idade ajuda a moldar melhor os atletas, e os campeonatos mirins, como a Copa Difusora, são o paraíso desses empresários. Hoje há seis jogos dessa competição. Nas categorias 95, 97 e 98, jogam as escolinhas Bate Bola e Chute Certo, no Clube de Campo. Dente de Leite e Amazonas disputam nas categorias 96, 97 e 98 no Amazonas. Um desses empresários pode estar a espreita, mas é preciso ter cuidado.
Na opinião de um ‘hunter’ francano, toda a esperança prometida por esses olheiros precisa ser desmistificada. “O futebol é muita ilusão”, analisou José Ângelo Nunes, 39, dono de uma banca de pesponto na Vila Chico Júlio e conhecido por ter indicado ao menos 30 jogadores desde 2000.
Hoje ele é treinador da equipe aspirantes do Internacional e, apesar de ter contatos no São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro e Juventus, não encara suas indicações com caráter profissional.
Ele prefere organizar competições e chamar empresários para conhecer os jogadores. Com sua experiência, José Ângelo confirma que o caminho do sucesso passa mesmo pelo QI (quem indica), além do potencial. “Para alguém entrar em um grande clube, é preciso ter contatos.” Para exemplificar, destaca o caso do lateral-direito Jackson, que jogou em categorias de base em Franca e foi levado por ele para o São Paulo. “Não fiz questão de ganhar dinheiro. Queria ajudar o garoto, que tem uma família humilde e pode encontrar um melhor caminho agora.”
Os contratos chegam a R$ 10 mil e os salários variam de R$ 100 a R$ 1.500. “Alguns desses olheiros ganham até 30% do contrato e podem até tirar entre 10% e 20% dos salários dos jogadores. Por isso, as famílias precisam ter cuidado com promessas”, alerta o olheiro não-profissional. Para tentar evitar golpistas, a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) já institui um credenciamento. Para ter a carteirinha, o interessado precisa passar em exames sobre legislação desportiva em português e espanhol. As inscrições custam R$ 1 mil e a última prova aconteceu nesta semana, no Rio de Janeiro.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.