Fazer teatro é explorar a linguagem corporal, as expressões dos atores e, claro, as sensações do espectador. E é exatamente isso que propõe o grupo de teatro do Sesi (Serviço Social da Indústria) com o espetáculo Nós à Flor da Pele, que estréia hoje para o público.
Criação coletiva do grupo, a peça é um reflexo de sentimentos e de um processo criativo que começou em março e se estendeu até agora, com uma média de dez horas semanais de ensaio. Assim como fez o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone na década de 70, com a peça Trate-me Leão, uma criação coletiva que se tornou referência na história do teatro nacional, a cordenadora do grupo e diretora do espetáculo, Alessa Hungria, quis ousar e arriscar. “Desde que entrei no Sesi, montei três peças de atores consagrados. Felizmente, todas foram muito bem recebidas e eu me senti segura para propor algo diferente ao grupo”. Esse foi o embrião de Nós à Flor da Pele. Para se chegar ao resultado final foi necessário muito estudo. Assim, os 13 atores participaram de oficinas de psicodrama e dança, e também estudaram com empenho o surrealismo. “Eu queria muito trabalhar a linguagem corporal. Já que não tínhamos um texto, não precisávamos ficar presos a ele”, explica Alessa.
O psicodrama ajudou os atores a entrarem em contato com seu íntimo, histórias e lembranças, que foram os principais elementos na hora de criar o espetáculo. A dança ajudou na expressão corporal, nos movimentos livres e precisos. Já o surrealismo foi a forma encontrada para se comunicar com a platéia através dos sentidos, e não somente da palavra. “O nosso maior objetivo é causar sensações no espectador. Queremos que as pessoas saiam do teatro sentindo alguma coisa”, diz Alessa.
Depois de toda essa fase de estudo, surgiu Nós À Flor da Pele, um espetáculo que trata de questões humanas como saudades, frustrações, conquistas, perdas, medos, dúvidas, insatisfações e desejos. São cenas desconexas que permeiam diversas áreas da vida humana e são costuradas por textos de autores como Luis Fernando Veríssimo, Vinicius de Moraes, Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira e Millôr Fernandes, que refletem os mais íntimos sentimentos dos atores. “Cada um trouxe um texto ou criou o seu próprio, para que pudéssemos montar a espinha dorsal da peça”.
Além de hoje, Nós à Flor da Pele será apresentado no Teatro do Sesi nos dias 5, 19, 28 e 29 de outubro, sempre às 20 horas. A entrada é gratuita e os ingressos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria do teatro. A censura é 14 anos.
Depois, o grupo segue em turnê pelas unidades do Sesi de Piracicaba, Sorocaba, Araraquara, Marília, Birigüi e Santo André.
NO COMANDO
À frente de todo esse processo criativo está Alessa Hungria, que há quatro anos coordena o Núcleo de Artes Cênicas do Sesi/Franca. Formada em Artes Cênicas pela USP (Universidade de São Paulo), voltou para a cidade depois de quatro anos na capital com a intenção de fazer um trabalho sério. Deu aulas durante dois anos, até ser contratada pelo Sesi. “Sou apaixonada pelo teatro. Acho que o diferencial do meu trabalho é fazer teatro com seriedade e primar pela formação teatral. Não quero apenas ver as pessoas decorando texto”, diz.
Pelo Sesi, ela já montou os espetáculos O Inspetor Geral (Nikolai Gogol), O Dia de Pierrot (Timochenco Wehbi) e Vamos? (Mário Vianna). Este último foi um dos cinco escolhidos para se apresentar no Teatro Popular do Sesi da Avenida Paulista, no início do ano. “Espero que consigamos essa honra novamente este ano”, diz.
O Teatro do Sesi fica na Avenida Santa Cruz, 2870. Tel: 3721-1444.
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