Em busca de alternativas


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“Os homens são os tempos; quais forem os homens, tais serão os tempos” (Sto. Agostinho). Com as eleições, o povo espera viver novos tempos, levando em consideração o que dizia Lincoln, que ninguém engana o povo eternamente; mas o número de tontos é incontável e por meio da manipulação um grande país pode ser dominado por muito tempo. O país está de joelhos e não se levantará até que o ressentimento do povo seja transfigurado pela busca de alternativas. Os homens de governo deveriam privilegiar o enriquecimento da cultura e da educação. Enquanto não acontecer isso, todo debate político irá perder-se num moralismo frustrante. Do contrário, a liberdade de competição, a igualdade de oportunidades e a fraternidade social vão desaparecendo, tornando a democracia uma ilusão. Quanto mais se vive, mais se quer saber. No entanto, ignora-se a finalidade do saber, que consiste em transformar o mundo e a si mesmo. O homem não pode se reduzir a um mero espectador da realidade, nem a um joguete dos mais poderosos que querem transformar pessoas em “coisa”. A vocação do homem é a de transformar o mundo. O desafio está em que a agitação estonteante da vida moderna, em conseqüência da expansão desenfreada do capitalismo selvagem, tira-lhe a tranqüilidade. Com isso, corremos o risco de pensarmos para os outros ou não pensarmos. Assim, perdemos nossa identidade, enquanto a classe dominante triunfa. O paradoxal é que a vida que o homem moderno construiu para ele mesmo o sufoca. Basta lembrar aqui um fato; o homem hoje é egoísta mesmo sem querer. Ele se isola e se defende; ele disputa cotidianamente com seu semelhante, mesmo que não o deseje. Ele se torna egoísta para não sucumbir... Assim, o homem vive insatisfeito consigo mesmo, pois dificilmente é dono de suas ações. O mundo vive um prolongado advento, na esperança de um fato histórico que coloque a humanidade num patamar superior de relações hoje travadas entre as nações, entre o capital e o trabalho, entre classes sociais, entre ricos e pobres. Isto se reflete nas relações pessoais, e leva os observadores mais isentos a concluírem que no XXI ainda continua sendo verdadeira a frase do filósofo e sociólogo Hobbes: “Homo homini lupus” (o homem é um lobo para outro homem). Isto é expresso pela ganância, pelo ódio, pela dominação, pela exploração, pelas violências e violações dos direitos mais elementares da pessoa humana. Assim, o relacionamento entre os homens transforma-se num campo de batalha, onde o outro só não pode ser eliminado porque senão é um a menos que temos para explorar. A humanidade clama por uma nova ordem econômica e social. Mas está como um barco à deriva; não sabe que rumo tomar. O mal está em que não é fácil mudar a mentalidade de um povo. As pessoas são muito aferradas às suas próprias idéias; ninguém quer abrir mão para se chegar a um consenso. Com isso, todos sofrem, todos vivem insatisfeitos. A propósito, lembramo-nos de um fato histórico notável, após a queda do Império Romano, no século IV, quando os cristãos iam à procura do famoso bispo e doutor da igreja, Sto. Agostinho. Lamentando, diziam: “que tempos difíceis; que tempos penosos; que tempos laboriosos...” Ao que Santo Agostinho respondia: “os homens são os tempos; quais forem os homens, tais serão os tempos”. Chegamos à conclusão de que é melhor acender uma vela do que bradar contra a escuridão. É preciso fomentar o diálogo, cultivar a solidariedade, combater o egoísmo que nos prende num cárcere de paredes douradas e nos impede de ver a luz. Sozinhos, somos fracos; definhamos. Unidos seremos fortes, poderosos, corajosos. Na verdade, não estamos unidos; não somos UM; apenas somos... Devemos acreditar na existência e na vitalidade de alternativas. Devemos crer que somos capazes de construir uma sociedade nova, despida de ilusões da grandeza paga e sublimada pela ternura do Amor cristão. J. C. LEMOS é professor e leitor do Comércio

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