A pesquisa feita pelo IBGE também mostra que mais da metade dos deficientes que trabalham em Franca ganha menos de R$ 700. Álvaro Ferreira, 56, faz parte deste grupo.
Ele é anão. Nasceu com nanismo, uma doença que impede o crescimento. Tem atualmente 1,26 metro de altura. Para a família, ele montou uma banca de jornais em frente à Igreja Santo Antônio, na Cidade Nova. “Faço das tripas coração, mas não ganho muito. Em média, tiro R$ 600 por mês”.
Ele não reclama. Já viveu períodos piores. “Como sou deficiente, para encontrar um trabalho sempre foi uma luta. Já fui ajudante em fábrica de calçado, mensageiro em hotel e vendedor ambulante. Não ganhava isso e ainda sentia dores no corpo por causa do trabalho.”
Agora, comandando a banca desde 1994, torce para o negócio evoluir. “Quero me aposentar com uma renda melhor. Por isso espero que minha banca prospere.”
No outro extremo está o vereador Mauricio Chinaglia, 54, que teve paralisia infantil aos 5 anos e desde então anda com auxílio de muletas. Como membro da Câmara Municipal, ele recebe cerca de R$ 4 mil por mês, mas conhece bem a realidade dos deficientes. “Conquistei minha vaga com mais de 2 mil votos, mas, se não fosse isso, estaria trabalhando e ganhando pouco como a maioria dos meus companheiros.”
Chinaglia tem curso de auxiliar de escritório e durante muito tempo vagou à procura de emprego até encontrar uma vaga no departamento pessoal de uma fábrica de calçados na cidade e construir uma carreira. “Me considero um vitorioso. Não é fácil disputar com quem tem todas as condições. Acho que a lei de cotas (que obriga as empresas a contratarem deficientes) é uma enorme evolução, mas ainda temos um longo caminho até vencer os preconceitos.”
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