Mais de 12 mil deficientes trabalham hoje em Franca. A grande maioria sem registro em carteira. Os dados fazem parte do mais recente estudo sobre o mercado de trabalho para pessoas portadoras de deficiências divulgado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). O levantamento teve por base os resultados do censo de 2000 atualizados pelas estimativas populacionais feitas anualmente.
Para a pesquisa, foram consideradas deficientes as pessoas que possuem qualquer tipo de deficiência, desde a falta de um dedo à tetraplegia (só consegue mexer o pescoço). Dos mais de 31,7 mil portadores de deficiência que vivem no município, 14 mil são economicamente ativos (possuem 10 anos ou mais e estão aptos a desempenhar algum trabalho). Destes, 12,5 mil trabalham. “É um número alto. À primeira impressão, a gente até assusta, mas o ruim é que mais de 90% dessas pessoas estão à margem do sistema, trabalhando, sim, mas informalmente e sem garantias”, disse Rosária Mendes, assistente social da Associação dos Deficientes Físicos de Franca.
A informação dela é confirmada pela Delegacia do Ministério do Trabalho. “Na cidade, existe registro de apenas 442 pessoas deficientes trabalhando”, disse Jamil Leonardi, responsável pelo posto em Franca. A universitária Bruna Cândida da Rocha, 21, é uma dessas pessoas. Ela tem uma doença conhecida como Osteogenesis Imperfecta ou ossos de cristal. Como o nome sugere, o mal causa fragilidade nos ossos e inibe o crescimento. “Eu passei muitos anos procurando uma colocação no mercado de trabalho, mas sempre encontrei as portas fechadas. Só depois que entrei na faculdade, fui contratada pela Receita Federal”.
Por conta das dificuldades, Bruna, que é aluna do 4º ano do curso de Economia do Uni-Facef, resolveu fazer uma tese sobre o mercado de trabalho para os deficientes na cidade. “Cheguei à conclusão de que se de um lado faltam vagas para os deficientes, do outro, também falta qualificação aos interessados. Poucos deficientes concluíram o ensino médio e menos ainda chegaram à faculdade”.
Para tentar vencer essas barreiras, a Associação dos Deficientes criou um banco de currículos. “Recebemos os dados dos deficientes e encaminhamos para as empresas. É a forma que temos para ajudar, além, é claro, de orientá-los a sempre se qualificar.”
Colaboraram Marco Felippe e Jaqueline Proença
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