Há um ano e cinco meses, a sapateira Eliana Ângelo Ribeiro, 42, faz tratamento contra um câncer de esôfago. Na noite de ontem, com febre de 42 graus e fortes dores pelo corpo, foi levada por familiares ao Pronto-Socorro “Dr. Janjão”. Após a realização de exames, o clínico do PS teria constatado quadro de pneumonia e derrame pleural (presença de líquidos nos pulmões) e encaminhado Eliana para internação na Santa Casa. Chegando ao hospital, porém, a sapateira não teria sido internada por falta de vagas.
Eliana disse que ao chegar na Santa Casa teria sido colocada na ala de observação e consultada pela médica Andréa da Silva. Após ser medicada, a paciente teria permanecido no local até o início da madrugada, quando Silva a teria orientado a continuar o tratamento em sua residência. “A médica disse que o hospital estava lotado e que não havia vagas para me internar. Falou para eu ir embora e que, se piorasse, poderia voltar para ver o que seria feito”, disse. “Não tem jeito de eu ficar indo e voltando para o hospital do jeito que estou. É difícil. Sinto falta de ar, estou fraca. Estou pesando 35 quilos”, disse.
Segundo Eliana, o médico do pronto-socorro teria constatado sua fragilidade. “Ele não deixou ir no carro com meu marido. Disse que minha situação era preocupante e mandou que fosse levada para a Santa Casa de ambulância (pausa)...Aí, chega lá e não tem vaga para eu internar”, disse Eliana. “Até entendo que a Saúde tem mesmo suas dificuldades, mas isso não pode acontecer”.
SANTA CASA
A Santa Casa foi procurada no início da noite de ontem para explicar a suposta falta de vagas. A assessora de imprensa do hospital, Jacinta Sad, não soube confirmar se o problema de fato ocorreu.
Sad disse que comunicou o caso ao diretor-clínico da instituição, Marcelo de Paula Lima, que ele autorizou a realização do tratamento necessário à sapateira. Lima teria garantido, inclusive, vaga para a internação. “Caso ela não tenha melhorado, pode procurar o hospital que será atendida sem problemas”, disse.
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