Nada de declarações e muita movimentação nos bastidores. Prefeitura de Franca e Sabesp, abertamente, não agiram para dar fim ao impasse motivado pelo decreto do prefeito Sidnei Rocha para determinar a retomada dos serviços de água. Depois de muita confusão e estardalhaço, ontem, ambas as partes preferiram se calar. O prefeito convocou para uma reunião os vereadores que assinaram uma indicação pedindo a revogação do decreto e a prorrogação do contrato por um ano. No encontro, disse que não atenderá ao pedido. Afirmou, ainda, que não se pronunciará sobre o assunto Sabesp antes da próxima semana. O superintendente regional da empresa, João Comparini, viajou para São Paulo. Na capital, também estará, hoje, José Paschoal Ribeiro, chefe de gabinete de Sidnei Rocha. É o que garantem fontes de dentro do paço municipal. Oficialmente, não há nenhuma reunião marcada entre o município e a empresa. As agências bancárias de Franca continuam enviando o dinheiro dos boletos de consumo pagos para a conta da Sabesp. Apenas o Banco do Brasil decidiu suspender o recebimento.
No início da tarde de ontem, Comparini partiu para São Paulo convocado pela direção da Sabesp. Ele não esconde que o principal assunto das reuniões que terá hoje será o impasse de Franca. “Trata-se de uma reunião de rotina com temas das 29 cidades que coordeno. Mas, é claro que os assuntos de Franca terão uma atenção especial nas conversas”, disse, sem arriscar uma previsão de definições.
O superintendente disse também que não tem conhecimento de que José Paschoal Ribeiro ou qualquer outro membro do alto escalão da prefeitura vá a São Paulo para negociar com a Sabesp. A informação de que não há nenhuma reunião agendada com membros do governo foi confirmada por Luiz Carlos Neto Aversa, diretor de Comunicação da Sabesp e responsável pela renovação de mais de 100 contratos semelhantes ao de Franca no interior paulista. Na terça, Aversa garantiu que tentaria contato com o município para acertar o reinício das negociações até as 10 horas de ontem, mas não o fez. “Nenhuma novidade nesta quarta-feira”, disse ontem.
À ESPERA
Ontem, a prefeitura, mais uma vez, adiou qualquer ação jurídica para fazer valer o decreto do prefeito. Nenhum procurador do município foi encontrado para falar sobre a preparação de uma possível ação. Sidnei Rocha parece aguardar uma iniciativa da Sabesp antes de decidir se pedirá a reintegração de posse das instalações da empresa na cidade ou mesmo se resolverá abrir um processo licitatório. Com o decreto assinado e publicado, o prefeito, estrategicamente, permanece à espera de uma iniciativa da Sabesp. Depois de classificar a proposta da empresa de pagar R$ 12,5 milhões em dois anos de “ridiculamente pouco” e chegar a dizer que a Sabesp não deveria receber nada se deixasse a cidade, o prefeito adota uma postura menos agressiva.
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