Os funcionários da Sabesp suspenderam, ontem pela manhã, a greve da categoria. Desde segunda-feira, 70% do efetivo da empresa em Franca se revoltou contra o decreto do prefeito Sidnei Rocha (PSDB) que determina a retomada dos serviços de água pelo município e cruzou os braços. Somente os serviços essenciais vinham sendo executados. A Prefeitura garantiu que agiria juridicamente ontem para colocar o decreto em prática, mas não o fez. Ainda ontem, os funcionários da Sabesp lotaram o plenário da Câmara Municipal e tiveram uma reunião no gabinete do prefeito.
“A gente sabe que algumas pessoas já ponderaram ao prefeito para não forçar juridicamente a entrada na Sabesp nesta semana. Assim, não tem como ele acampar a equipe dele. Então só nos resta atender à população e à Sabesp”, disse o diretor regional do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo), Robson André da Cruz, tentando justificar a volta ao trabalho. Cruz acredita que a Prefeitura não pedirá reintegração de posse da Sabesp até sexta-feira. Mas, em reunião com membros do Sintaema, inclusive seu presidente, Helifax Pinto de Souza, o próprio prefeito Sidnei Rocha repetiu que o decreto assinado por ele tem como objetivo preservar os interesses do município.
Segundo Helifax, o prefeito reclamou que a Sabesp não está dando a devida atenção à Franca e que as contrapartidas propostas estão “muito aquém” do que a cidade deseja. O município pede R$ 30 milhões e mais 4% do lucro mensal da empresa. A oferta é de apenas R$ 12,5 milhões. Ainda assim, o prefeito teria se mostrado aberto às negociações e mencionado um “limite” de espera, sem dizer até onde ele iria. “Existe um limite para aguardar uma manifestação da Sabesp”, foi o que disse Sidnei segundo Helifax. O presidente do Sintaema disse que a conversa o deixou mais tranquilo e que, pelo menos “a priori”, a greve está suspensa.
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MAIS REUNIÃO
Após o encontro com os funcionários da Sabesp, membros do alto escalão do governo municipal permaneceram reunidos com o prefeito. A reportagem do Comércio não foi recebida entre uma reunião e outra e o chefe de gabinete do prefeito, José Paschoal Ribeiro, não retornou às muitas ligações feitas para o paço municipal. Paschoal também não foi encontrado por meio de seu telefone celular. Da mesma forma, não foi possível falar com o próprio Sidnei ou com o chefe do Departamento de Assuntos Jurídicos da Prefeitura, Joviano Mendes. O limite que teria sido mencionado pelo prefeito durante a primeira reunião da tarde não pôde ser especificado. No final da noite de ontem, o secretário de Finanças Sebastião Ananias garantiu que nenhuma medida judicial havia sido tomada. Se não por uma semana, ao menos por um dia o prefeito decidiu adiar ações jurídicas para assumir o controle da Sabesp.
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