Cansados de esperar por uma definição do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), os militantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra) invadiram na madrugada de segunda-feira a Fazenda Santa Cruz, em Cristais Paulista. A propriedade fica ao lado da Fazenda Santana, ocupada pelos sem-terra desde fevereiro deste ano.
O Incra já vistoriou a área e está em negociação com o proprietário que, segundo os próprios sem-terra, não teria chegado a um acordo em razão do preço. O Incra teria oferecido em torno de R$ 20 mil por alqueire e o proprietário queria R$ 30 mil. A informação não foi confirmada pela assessoria de imprensa, que não retornou a ligação.
A fazenda de 480 alqueires tem como principal atividade a criação de gado. Após a invasão, os coordenadores do MLST planejam plantar milho na fazenda. “Essa é uma forma de pressionar para acelerar as negociações entre o Incra e o proprietário da fazenda”, afirmou Jean Gomes, da coordenação regional do MLST. A mudança foi feita de carro, passando pelo meio do pasto até a sede da fazenda. Toda a liderança dos sem-terra participou da ação, assim como o presidente do Sindicato dos Sapateiros de Franca, Paulo Afonso Ribeiro, que apóia as invasões.
Os sem-terra passaram o dia de ontem montando os barracos feitos de bambu, cortado dentro do próprio local. Sob as lonas, uma temperatura de mais de 30 graus, já que praticamente não existem árvores nos pastos por onde os integrantes do movimento se espalharam. Ninguém da fazenda apareceu para falar com os sem-terra nem foi visto pelo terreno. Quem esteve na entrada da área foi a polícia logo pela manhã apenas para constatar a invasão, mas não entrou na propriedade.
Essa é a quinta fazenda invadida pelos sem-terra na região de Franca em sete meses. Atualmente, o grupo mantém mais de 200 pessoas na Fazenda Santa Terezinha, no município de Franca. A propriedade foi ocupada na madrugada do dia 9 de setembro e apesar do proprietário, Jeneveli Micali, ter conseguido reintegração, os sem-terra continuam na área. E não falam em prazos para deixar o local.
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