Menos de uma semana após o encontro do primeiro corpo degolado, a Polícia Civil de Franca conseguiu esclarecer a onda de crimes bárbaros que aterrorizaram a cidade nos últimos dias. Na manhã de ontem, os agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) prenderam o desocupado André Ricardo Torrente Reche, 18. Ele confessou participação nos assassinatos e disse que matava as vítimas para roubar. O criminoso disse que agia na companhia do padrasto, que está foragido.
Por apenas um dia, ele não foi impedido de ser preso devido às eleições. Desde hoje, todo eleitor não pode ser detido pela polícia, exceto em flagrante.
Embora jovem e cego de um olho, André já matou três pessoas, fez vários roubos e tentou se suicidar para não ser preso. Há pouco mais de um mês, ligou para a polícia e pediu para ser preso. Como não havia mandado de prisão contra ele na oportunidade, foi liberado.
Na tarde de sexta-feira, a equipe de homicídios da DIG encontrou uma testemunha que havia visto André e o padrasto saírem de um bar na Estação, na madrugada anterior, com o gerente Edmar Machado dos Santos, 40. A vítima foi assassinada logo depois e degolada.
Depois de descobrir a identidade e o endereço dos envolvidos, os policiais ficaram de campana perto da casa em que moravam, na Rua Voluntários da Franca, Estação. Na manhã de ontem, viram quando André foi até uma banca comprar um exemplar do Comércio da Franca. “Eu comprava o jornal todos os dias para ver como estavam as investigações”, disse ele, após ser preso. Sem notar a presença da polícia, foi para um bar no mesmo bairro. Eram 11 horas, quando os investigadores Amato e Mendes entraram no local e o prenderam. Ele não esboçou nenhuma reação.
Levado à sede da DIG, ainda tentou negar envolvimento, mas diante das provas colhidas pelo setor de investigação, resolveu contar tudo o que sabia e detalhes dos crimes. Além de Edmar, confessou também ter matado o lavrador Carlos Henrique de Moura, 23, na terça-feira da semana passada. “Matamos os dois para roubar. Eles conheciam meu padrasto. Se ficassem vivo, nos entregariam para a polícia.”
André disse que não esperava ser preso e que não imagina como a polícia chegou até ele. Apesar de admitir que esfaqueou as duas vítimas, afirmou que teria sido o padastro o responsável por cortar o pescoço de Edmar. Com frieza, respondeu à pergunta que atormentava a todos: por que arrancar a cabeça? “Para confirmar se ele tava (sic) morto. Não podia deixar ele vivo.”
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