No primeiro dia depois da publicação do decreto assinado pelo prefeito Sidnei Rocha (PSDB) para a retomada os serviços de abastecimento de água no município, a agitação começou cedo.
Assim que amanheceu o dia, os servidores da empresa se reuniram e decidiram cruzar os braços. Dos 380 funcionários, apenas 80 trabalharam para manter os serviços essenciais.
Por volta das 10 horas, a comissão nomeada pelo prefeito e liderada pelo chefe de Gabinete, José Paschoal Ribeiro, chegou à sede da Sabesp. Entrou pelos portões dos fundos para se reunir com o superintendente da empresa, João Baptista Comparini. Uma hora de conversa a portas trancadas e nenhum acordo. Paschoal saiu dizendo que a Prefeitura fará valer o decreto. “Vamos pedir a reintegração de posse na Justiça”. João Comparini, que se recusou a assinar o ofício trazido pela comissão para a retomada da empresa, disse que qualquer decisão sobre um eventual revide agora caberá à direção estadual da Sabesp. “Não tenho competência para assinar e receber nada”.
Informados do impasse, os promotores de Justiça Paulo César Corrêa Borges e Carlos Henrique Gasparoto decidiram abrir uma investigação prévia (procedimento preparatório de inquérito civil) para apurar se a falta de diálogo entre Sabesp e Prefeitura está colocando em risco o abastecimento da população. “Isso não será admitido”, disse Paulo Borges.
FORNECIMENTO
Com a greve, nesta terça-feira, apenas os serviços essenciais funcionarão. Assim, atendimentos a reclamações de vazamento, cortes de fornecimentos, reparos na rede e esclarecimento de dúvidas dos consumidores estão temporariamente suspensos.
Uma nova assembléia definirá os rumos da paralisação. Os funcionários se reunirão hoje na porta da Sabesp às 7h30. A assembléia deverá contar com a participação do presidente do Sintaema, Helifax Pinto de Souza, que virá de São Paulo para reforçar os apelos da categoria.
Os funcionários temem que o impasse na renovação do contrato resulte em demissões. “Tanto Prefeitura quanto empresa não estão pensando nos funcionários”, disse Robson André da Cruz, diretor-regional do Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo). Para ele, o clima de insegurança entre seus companheiros é muito grande. “Ninguém sabe como será daqui pra frente. Todos estão apreensivos e não querem perder seus empregos”.
Com a paralisação de ontem, os serviços administrativos ficaram prejudicados. O atendimento ao público também foi parcial. Sirlene Caluz, diretora de marketing da Sabesp, disse que não houve danos à população, mesmo com mais de 70% dos funcionários parados. “Os serviços essenciais não foram suspensos”, disse, acrescentando que o abastecimento, tratamento de esgoto, ligações e religações de água não foram afetados.
Colaborou, Vinicius Araujo e Wildnei Teodoro
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