Foi com surpresa que João Batista Comparine, o superintendente regional da Sabesp em Franca, reagiu ao anúncio de retomada e ocupação da empresa e suas instalações feito neste sábado pelo prefeito. Segundo Comparine, as negociações com a Prefeitura ainda estavam em andamento e não existiria nenhum fato que justificasse essa medida extrema tomada por Sidnei Rocha.
Para o superintendente, ao encerrar as negociações, o prefeito estaria priorizando o financeiro em detrimento da qualidade dos serviços prestados pela Sabesp aos seus clientes. “Para atendermos o que quer a Prefeitura, teríamos que diminuir a excelência dos serviço e percebo que isso não tem sido levado em consideração pelo prefeito”.
Na proposta de renovação da concessão, a Prefeitura pede o repasse de R$ 30 milhões, em materiais ou serviços de recapeamento e pavimentação (valor a ser pago em dois anos), e mais uma participação de 4,5% no faturamento mensal da empresa, o que equivaleria a cerca de R$ 180 mil, pelos próximos 30 anos. A Sabesp ofereceu R$ 12 milhões. “Não temos como ofertar mais.
Foi neste ponto que as negociações estacionaram na semana passada”.
Comparine disse que oficialmente a Sabesp não recebeu qualquer comunicado da Prefeitura a respeito da retomada dos serviços e da ocupação da Estação de Tratamento. “Estou sendo informado pela imprensa, por isso, a Sabesp vai esperar a publicação do decreto para estudar seu teor e decidir quais medidas serão tomadas”.
O superintendente afirmou que a empresa lutará pelos seus direitos. “Não vamos permitir que a prefeitura coloque em risco o patrimônio e os serviços prestados pela Sabesp no município. Recorreremos à Justiça para assegurarmos nossos direitos”.
Segundo Comparine, a Sabesp considera que o contrato de concessão ainda continua valendo. “O contrato só acaba quando a prefeitura pagar nossa indenização. Como isso ainda não ocorreu, ela não pode entrar aqui e assumir a direção”.
REAÇÃO
Tanto o superintendente quanto outros funcionários da unidade local disseram que não se submeterão aos comandos de Sidnei Rocha. “Se ele quiser mandar uma comissão aqui para negociar, estudar uma melhor forma de fazer as coisas, tudo bem. Agora nos obrigar a trabalhar isso não aceitaremos. Sou funcionário da Sabesp, concursado para tal. Não sou funcionário da Prefeitura. Continuarei a obedecer a diretoria estadual da empresa. A não ser que uma decisão judicial ordene o contrário”.
Apesar de toda a firmeza de seu discurso, ao final da entrevista, Comparine afirmou que o canal de diálogo continua aberto. “Ainda queremos continuar em Franca. Acho que a cidade só terá a ganhar com a nossa permanência”.
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