“Vamos assumir o que é nosso”. Essa foi a frase repetida por Sidnei Rocha mais de meia dúzia de vezes durante a entrevista coletiva convocada para comunicar a decisão de retomar o serviço de água e esgoto na cidade de Franca. O prefeito disse que a decisão de retomar os serviços de água e esgoto da cidade foi tomada depois de reunião ocorrida na quarta-feira, em São Paulo.
Nela, os diretores da Sabesp recusaram proposta do município, que, entre outras reivindicações, queria receber R$ 30 milhões, a serem pagos em dois anos, e 4% do faturamento da empresa na cidade, que é de cerca de R$ 4,5 milhões. O dinheiro seria repassado ao município em massa asfáltica.
Muito calmo, o prefeito disse que a contraproposta da empresa foi pagar R$ 12 milhões, o que ele classificou como “ridiculamente pouco”. Sem um acordo depois de seis meses de negociações, o prefeito decidiu assumir o controle dos serviços. “A Sabesp nos deixou só com esse caminho”, disse.
A partir deste domingo, Sidnei Rocha planeja contar com todos os funcionários, equipamentos e instalações da empresa. Mais do que isso. Planeja controlá-los. “Vamos pagar pelo uso de tudo. Nossa intenção é não prejudicar os interesses do município, mas também não queremos que a Sabesp tome prejuízo”, disse. Uma conta especial já foi aberta pelo município e passará a receber todos os pagamentos de água e esgoto da população. “Já comunicamos às agência bancárias essa modificação”, disse o prefeito. O dinheiro das contas recebido a partir desta segunda servirá para gerenciar os serviços.
Quando o assunto foi a indenização que a Prefeitura precisa repassar à empresa, prevista em contrato e equivalente ao valor do investimento da Sabesp no município nos últimos 30 anos - cerca de R$ 120 milhões -, Sidnei chamou a obrigação de arcar com os investimentos da estatal de “blefe” e desconversou. “Isso tudo, agora, são ações jurídicas. (...) Até porque cada um vai ver pelo seu lado. Eu acho, por exemplo, que por tudo que a Sabesp recebeu em Franca ela não tem que receber nada. Agora, isso aí juridicamente tem que ser discutido”, disse.
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