Acolher os últimos


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A Palavra de Deus proclamada nas missas do 25º Domingo do Tempo Comum vai falar sobre Jesus, o Messias servidor. A primeira leitura é retirada do livro da Sabedoria, capítulo 2. É relatado o que os ímpios decidem fazer contra os justos. Os ímpios eram aqueles judeus que, tendo abandonado a religião dos seus antepassados, tinham-se unido aos pagãos e começado a perseguir seus antigos irmãos de fé. O que mais os incomodava era a vida honesta, exemplar e austera que, não obstante as dificuldades, esses piedosos israelitas conduziam. O que aconteceu com os israelitas fiéis, dos quais nos fala o Livro da Sabedoria, e com o próprio Jesus, sempre se repete com os fiéis autênticos. A perseguição deve ser considerada como um fato “normal” para os justos. Quando nossa vida é marcada ou construída sobre a mentira e a injustiça, não é possível suportar as pessoas que agem com retidão. Os corretos são sempre alvo de zombaria. É sempre necessário lembrar: a injustiça é imoral e a justiça é imortal. Aos nossos olhos parece que a justiça nunca terá sorte. Aí está o engano: na justiça encontra-se Deus e ele reina: pode até demorar, mas Ele se manifestará. A segunda leitura é retirada da Carta de São Tiago, capítulo 3. O trecho revela uma comunidade gravemente dividida. A idéia principal desse trecho é a sabedoria cristã, que não depende da erudição acadêmica, mas do bom-senso com que as pessoas se relacionam comunitariamente. Tiago relata os frutos dos instintos desregrados do homem: o ciúme e a contenda e apresenta as características da “sabedoria de Deus”: compreensão, bondade, misericórdia, paz, generosidade, onde não há inveja nem hipocrisia. Todos que se deixam guiar por esta sabedoria se tornam construtores da paz. Na nossa vida é fácil notar quando somos dirigidos pela sabedoria divina: todas as vezes que não promovemos fofocas, quando não nos envolvemos com discussões, quando não sabemos prejudicar os outros, etc. Muitas vezes, na nossa oração, pedimos a Deus que nos conceda coisas que satisfazem nossos caprichos. Quando rezamos devemos pedir a “sabedoria”, a capacidade de entender que a única coisa que vale na vida é o serviço dos irmãos. E o trecho do evangelho é retirado do capítulo 9 de São Marcos. As palavras de Jesus causam perplexidade nos discípulos: eles ficam com medo de perguntar a Jesus o que não conseguem aceitar de seus ensinamentos. Quando Cristo revela a sua face de “servo” que dá a vida e acrescenta a exigência de seguir seus passos, não é possível não sentir medo. Por não entenderem, os discípulos continuavam se preocupando com os seus problemas mesquinhos e ridículos: “quem entre nós será o primeiro?” Jesus deixa bem claro; na comunidade cristã quem ocupa o primeiro lugar deve abandonar qualquer sonho de grandeza. A comunidade é o lugar onde cada um, conforme os dons recebidos de Deus, deve celebrar a própria grandeza, servindo os irmãos. Acolhendo uma criança, Jesus considera nela o modelo a ser imitado. É preciso tornar-se como elas para poder entrar no Reino de Deus. A criança simboliza o ser fraco e indefeso que deve ser cercado de delicadezas e de desvelo. PADRE JOSÉ GERALDO SEGANTIN é pároco da Catedral.

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