O ginecologista José Bernardes de Pádua, ontem, em participação no programa Show da Manhã, da rádio Difusora, criticou duramente a Santa Casa. Ele, que trabalhou durante 20 anos na instituição, atacou principalmente o sistema de triagem do hospital, que, segundo ele, não sabe sequer identificar uma emergência de um atendimento corriqueiro.
A irritação de Pádua aconteceu após uma funcionária de sua filha passar mal durante a manhã de ontem. A mulher, de 44 anos, foi levada pela mulher do médico, a psiquiatra Ana Cristina Pádua, à Santa Casa, para ser atendida, o que não aconteceu. A recepcionista teria exigido o prévio encaminhamento do Pronto-Socorro “Dr. Janjão” para permitir o atendimento. “Ela estava com hemorragia digestiva. Vomitava sangue e perdia sangue também pelo intestino. Minha mulher a levou para a Santa Casa, mas não a atenderam”.
Assustada, a psiquiatra se propôs a pagar a consulta para a paciente. “Disseram que, neste caso, atenderiam, mas que todo o tratamento teria de ser particular. Aí, foram à endoscopia, mas a enfermeira, ao saber que não tinha agendamento, disse: ‘Não está agendado? Pode ir embora, some daqui. Um absurdo. Daí, minha mulher a levou para o Hospital São Joaquim, onde ela foi atendida”, disse o médico.
Pádua criticou a forma como os pacientes são triados. A Santa Casa, segundo ele, não pode se furtar de atender um paciente com risco de morte. “É um quadro grave. É uma hemorragia digestiva e ela corria risco de vida. Isso não é urgência, é emergência e eles não fizeram nada. Acho um absurdo. Não sei qual foi a anta que criou este tipo de lei”, disse. “Quando as pessoas reclamam, elas têm razão”, completou o médico.
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