Quem pratica musculação conhece bem a palavra “bomba”. Não é necessário ser halterofilista ou fisiculturista para saber onde comprar - e olha que não há dificuldade nisso -, como aplicar e se informar sobre seus “benefícios”. Estes grupos são formados por profissionais que conhecem seus efeitos e riscos à saúde. No entanto, são os atletas amadores os usuários dos esteróides anabolizantes que preocupam médicos e profissionais de educação física. Mesmo sem estatísticas sobre o uso de anabolizantes, é possível encontrar diversas indicações sobre pessoas que os utilizam. Todos negam.
Os esteróides anabolizantes, ou bombas, são drogas fabricadas para substituírem o hormônio masculino testosterona, fabricado pelos testículos. Eles ajudam no crescimento dos músculos (efeito anabólico) e no desenvolvimento das características sexuais masculinas como: pêlos, barba, voz grossa etc, (efeito androgênico). São (ou deveriam) ser usados para tratamentos de disfunções hormonais sob a supervisão de um médico e vendidos somente com sua prescrição.
“Mas não é assim. Não é difícil comprar diversos tipos de anabolizantes em farmácias da cidade”, disse o professor de educação física e especializado em musculação para atletas Pablo Rodrigues. A compra dos medicamentos é impulsionada, segundo ele, pela “gula” dos atletas em ganhar massa muscular rapidamente.
Numa comparação, um atleta que começa a treinar musculação, por exemplo, terá no final de um ano um ganho de cerca de 6 quilos de massa muscular. “Isso, fazendo uma dieta hipercalórica alimentar”, explica o professor. Já um atleta que acrescenta em sua dieta hipercalórica suplementos alimentares terá a mesma resposta em cerca de 6 meses. “Apesar de não ser tão perigoso o uso dos suplementos alimentares, sua ingestão também precisa de uma orientação profissional, pois excessos podem sobrecarregar o fígado e causar problemas de saúde”, explica Pablo.
No último caso, se uma pessoa fizer uso de anabolizantes durante o período de treinos, poderá ter ganhos superiores aos apresentados acima em até um mês. “É uma bomba para o organismo, que tem que trabalhar a mil por hora para tentar assimilar as substâncias no corpo”, disse o treinador. Segundo ele, há uma aceleração no metabolismo que leva a um aumento da pressão arterial, do colesterol e uma sobrecarga no fígado e pâncreas.
O pesquisador Luciano Lopes, que é formado em educação física, estudou durante a preparação de sua tese de pós-graduação as alterações dos órgãos internos de animais após o uso de esteróides anabolizantes. “O resultado foi surpreendente.
Durante a pesquisa, o rato em que injetamos a droga teve seu coração aumentado de tamanho em relação ao outro que não usou anabolizantes”, disse. “No ser humano, uma alteração como esta pode levar à morte”, afirmou Luciano, que é categoricamente contra o uso dos anabolizantes em atletas.
ANABOLIZANTE DE CAVALO
Em 2005, pelo menos dois jovens morreram em Brasília após fazer uso de anabolizantes para cavalos. No dia 19 de setembro, Jackson Vieira de Souza, 21 anos, ficou em coma durante uma semana, depois de ter injetado 18 mililitros de Estigor, uma substância para fins veterinários.
Jackson morreu na UTI do Hospital de Base de Brasília após sofrer uma parada cardíaca. No dia primeiro de outubro, morreu, no Hospital Regional do Gama (cidade satélite da Capital), pelo uso de ADE - complexo vitamínico veterinário -, Sílvio Santana de Couto, 19 anos. O rapaz chegou a tomar três doses da substância antes de morrer.
COMO FAZER
Para muito jovem, o grande barato de se praticar musculação é ganhar massa muscular. “Quando chegam à academia, pensam que em um mês estarão com o corpo de (Arnold) Schwarzenegger. O ganho de massa corporal depende de vários fatores, entre eles a constituição genética de cada um”, diz o professor José Márcio Olivieri, que é dono de uma academia do Jardim Dermínio.
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