Promotor vai notificar Gilmar Dominici


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Gilmar Dominici durante sabatina no Café do Comércio, na quinta-feira. Ele é acusado de desviar R$ 842 mil do município
Gilmar Dominici durante sabatina no Café do Comércio, na quinta-feira. Ele é acusado de desviar R$ 842 mil do município
O Ministério Público vai notificar na segunda-feira o ex-prefeito, Gilmar Dominici, e seu ex-secretário de Finanças, Gilmar Lucindo. Os dois terão que dar explicações sobre a acusação de terem desviado R$ 842,5 mil dos cofres municipais. Depois de convocados, terão dez dias para se apresentarem no MP. O promotor da Cidadania, Paulo César Corrêa Borges, não quis antecipar se processará os acusados, mas garantiu que os documentos enviados pela Prefeitura trazem fatos “sérios, graves e com substância”. “Eles terão o prazo para dar explicações, apresentar defesa, ou o que acharem melhor. Depois de ouvi-los, decido se peço novas diligências ou se proponho a ação civil pública”, disse Borges, que encaminhará o parecer da Prefeitura para a Promotoria Criminal pela evidências de peculato. Se condenados, Dominici e Lucindo terão de restituir os cofres públicos e poderão ainda perder seus direitos políticos. As irregularidades foram descobertas em junho de 2003, quando a então secretária de Finanças, Vanda Pires, que acabara de assumir a pasta em substituição a Lucindo, constatou que R$ 842,5 mil haviam sido retirados das contas da Prefeitura sem a apresentação de documentos que justificassem os gastos. Ela comunicou a situação a Dominici, mas o ex-prefeito só teria agido 13 meses depois, em setembro de 2004, quando quis saber quem havia recebido os recursos. Em 29 de dezembro de 2004, a três dias de deixar o cargo e sem ter como comprovar os gastos, Dominici ordenou que Pires efetuasse quatro empenhos que, somados, totalizavam o valor “desaparecido”. A estratégia começou a vir abaixo em julho do ano passado, quando o Comércio da Franca denunciou uma retirada de R$ 212,5 mil em 2004 sem comprovação dos gastos. A partir daí, o Ministério Público instaurou inquérito e a Prefeitura abriu auditoria interna. Mais de 20 pessoas foram ouvidas até que se chegasse ao rombo de R$ 842,5 mil nos cofres da Prefeitura. TRISTÃO Dominici ficou revoltado ao tomar conhecimento da auditoria feita pela Prefeitura, cujo resultado foi entregue ao Ministério Público. Para ele, tudo não passa de uma ação eleitoreira. “É muito estranho que isso apareça a uma semana da eleição. Além do mais, nunca fui informado desta sindicância. Nunca fui chamado para prestar depoimento”. O secretário de Governo, Odair Tristão, responsável pela Divisão de Auditoria, rebateu ontem as críticas do ex-prefeito. Disse que não havia motivos para tomar seu depoimento. “Ele não é servidor público mais, não é passível de sindicância. Como cidadão, pode dizer o que quiser, mas os membros da auditoria dão pareceres técnicos, não políticos. Não tem nada a ver com eleições. Além disso, o MP estava cobrando o resultado de nossas apurações”, disse.

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