“N ão basta apenas viver, é preciso sonhar” - Mario Quintana
“Eu tenho um sonho...” Foi assim que o grande líder negro norte-americano Martin Luther King Jr. começou seu mais famoso discurso, pouco antes de ser assassinado.
O sonho de Martin Luther King mudou a sociedade norte-americana, e mesmo a sociedade mundial, para sempre. E mudou porque muita gente dispôs-se a sonhar com ele.
O que dizer então do Brasil, uma nação nascida e cantada como “um sonho intenso, um raio vívido de amor e de esperança”?
Nós, brasileiros, parecemos ter deixado de sonhar com o Brasil. Parece que deixamos nos abater pela grandeza e dificuldade da tarefa de construir a Nação que queremos. Mas é nas horas de dificuldade que mais precisamos do sonho, porque nele nos vemos não como somos, mas como poderíamos ser.
E se o Brasil que temos hoje não pode ainda, honestamente, ser chamado de um país “de sonho”, então está na hora de recomeçarmos a sonhar.
Por isso, quero compartilhar com vocês meus sonhos sobre uma política que possa construir um Brasil mais justo, mais humano, mais democrático, que finalmente honre seu lindo hino.
Sonho com uma política em que o bem público seja encontrado na progressiva convergência dos sonhos de todos, não na súbita prevalência dos sonhos de alguns.
Sonho com uma política em que a negociação e o embate sejam as formas de conhecermos os sonhos uns do outro na busca de um sonho em comum, e não apenas armas para destruirmos o sonho do outro.
Sonho com uma política em que os protagonistas dos debates sejam as idéias, não as pessoas dos debatedores.
Sonho com uma política em que as palavras sejam usadas para buscar o entendimento e o acordo, não o convencimento e a imposição.
E o que o entendimento e o acordo sejam usados para harmonizarmos nossas diferenças e não para fingirmos que não existem.
Sonho com uma política em que o confronto necessário entre facções opostas seja marcado pelo respeito e pela lealdade, não pela hipocrisia e traição.
Sonho com uma política feita por adversários, não por inimigos.
Sonho com uma política em que as concessões entre adversários sejam sinal de maturidade, não de negociatas.
Sonho com uma política em que as concessões entre adversários sejam sinal de maturidade, não de negociatas.
Sonho com uma política em que a ética seja uma reflexão consciente sobre nosso próprio comportamento, em busca do aperfeiçoamento, e não uma arma para atacar quem quer que seja.
Sonho com uma política em que a honestidade e a integridade sejam as luzes que norteiam a ação, não apenas bandeiras de palanque.
Sonho com uma política em que a ação do político seja fácil de prever, porque é resultado de sua coerência.
Sonho com uma política em que os políticos estejam com o povo no dia-a-dia, não apenas nas vésperas de eleições.
Sonho com uma política em que os políticos representem dignamente os segmentos da sociedade que os elegeram, mas não em busca de privilégios para estes segmentos, e sim para dar voz a todos os segmentos da sociedade.
Sonho com uma política que dê voz aos que não estão representados pelos políticos.
Sonho com uma política em que as utopias sejam uma constante inspiração para a ação, não ilusões que mascaram ou escondem a realidade.
Sonho com uma política que reconheça as dificuldades que temos que enfrentar para construir nossa nação, mas não esmoreça diante delas, cedendo ao desânimo ou à tentação do ganho imediato à custa de empenhar o futuro do país.
Sonho com uma política em que o sonho tenha lugar, para que possamos ensinar nossos filhos e netos a sonhar.
Nas eleições que se aproximam, vamos decidir quem serão os políticos encarregados de colocar em prática nossos sonhos. Esta política dos meus (nossos?) sonhos poderia ser a política da Franca para o Brasil.
ARY PEDRO BALIEIRO é arquiteto, ex-vereador, ex-prefeito de Franca e atual vice-prefeito de Franca
Ari Pedro Balieiro Jr. é psicólogo
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.