Um dos meios de comunicação mais importantes e antigos que existem é o rádio. Nem mesmo a chegada da internet prejudicou esse veículo de informação, fundamental para dar notícias em tempo real e também entreter. Hoje, 21 de setembro, é o Dia do Radialista, profissional que faz com que os programas possam chegar até os ouvintes.
Apesar de fundamental importância dentro de uma comunidade, esses profissionais têm uma queixa a fazer: a falta de memória do rádio em Franca.
Desde a época da antiga PRB5, a primeira rádio da cidade, muito pouco ficou guardado dos nossos radialistas. Quem quiser conhecer, por exemplo, a voz do famoso Vicente Leporace, terá de recorrer a alguns poucos arquivos pessoais, já que não há nada no MIS (Museu da Imagem e do Som). Esse é um problema antigo.
Assim como aconteceu na televisão, havia o costume de reaproveitar as fitas onde eram gravados os programas de rádio.
Com isso, apagava-se um para gravar outro e assim por diante.
Para o radialista e hoje responsável pelo MIS de Franca, Luis Cláudio Barsoteli, é lamentável que Franca não tenha registros de vozes como a de Alfeu Estabelini, Wilson Abrão e o próprio Vicente Leporace. “Essa memória é muito importante porque o rádio faz parte da história de Franca. Além disso, esses radialistas, um dia, fizeram alguém feliz. Afinal, o rádio sempre alegra”, diz. Para ele, seria importante que tivéssemos registro de nomes como Alfredo Alves (começou em Franca e hoje é a voz padrão da TV Cultura), Vicente Leporace (que começou na PRB5 e ficou famoso em São Paulo com o programa Trabuco, na Rádio Bandeirantes), Pedro Luís (narrador esportivo que começou em Franca e teve seu auge na Rádio Gazeta, em São Paulo), além de pessoas que sempre trabalharam na cidade como J.Luís e Frank Luís. Claro que quem não viveu esse período não vai reconhecer a importância desses nomes. Daqui, porém, a dez, 20 anos, essas pessoas vão gostar de relembrar a voz dos locutores que embalaram sua juventude, seja em programas jornalísticos ou musicais.
Em Franca, uma experiência pioneira e importante tem sido feita pela Rádio Difusora. Desde que o Comércio da Franca assumiu a direção da emissora, há um ano, todos os programas da grade são gravados em CD e arquivados. “Nós fazemos questão de que isso seja feito, para que, no futuro, a história da rádio possa ser contada”, disse o jornalista Corrêa Neves Júnior.
Para Valdes Rodrigues, que está há 40 anos no ar com seu programa matinal na Difusora, é importante que as outras emissoras também se preocupem com isso. “Quando as próprias emissoras começarem a preservar, será bem mais fácil”, diz
MIS
Há alguns meses sob a gestão de Luís Cláudio Barsoteli, o MIS de Franca começa a dar os primeiros passos na preservação da memória do rádio francano. Ainda é um trabalho braçal, quase primário, mas que demonstra força de vontade. Depois de conseguir equipamentos de melhor qualidade com a Prefeitura, Luís Cláudio começou a gravar alguns programas de rádio para ter o registro das vozes de seus locutores. A primeira rádio a ter seus programas gravados é a Três Colinas. “Vamos fazer um rodízio entre todas as emissoras da cidade e a cada seis meses voltar à primeira e recomeçar o processo. Isso é importante porque às vezes há alguma mudança na programação ou no locutor dos programas”, disse.
Outro projeto alimentado por Luís Cláudio é fazer o registro de imagem dos radialistas durante a gravação ou apresentação dos programas. “Só vou esperar a inauguração do novo espaço do MIS para colocar isso em prática”.
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