Quem criticar a Câmara poderá ser processado


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Uma dura discussão entre Jepy Pereira e Marcelo Valim, ambos do PSDB, roubou a cena na Câmara Municipal ontem. Jepy apresentou projeto que atribui ao presidente da Câmara a função de processar qualquer pessoa que critique publicamente membros ou ações do Legislativo. Na prática, a proposta planeja intimidar críticas a fatos e atos da Câmara. Inconformado, Valim, que também é radialista, classificou a idéia como “imbecil”. Com a proposta, Jepy quer obrigar o presidente da Câmara a agir em defesa dos vereadores que se sentirem atingidos por críticas. Caberia ao presidente mover processo judicial contra o autor das declarações, por iniciativa própria ou a pedido. Com argumentação de advogado que é, Jepy diz, na justificativa do projeto, que “críticas infundadas não seriam sustentadas judicialmente” e “só são exploradas com claros objetivos políticos”. Caso o presidente não cumpra a determinação, pode ser até destituído do cargo. “Eu nunca vi um projeto tão imbecil quanto esse daqui”, disse Valim. “Imbecil é quem está usando a tribuna”, emendou Jepy, dando início ao bate-boca. Valim disse, aos gritos, que “não haveria homem que conseguisse calá-lo” e sugeriu aos profissionais de imprensa que se retirassem, já que não poderiam mais publicar críticas ao Legislativo. Jepy preferiu a ironia. “Para ter razão, o senhor não precisa gritar”, começou. Em seguida, fez questão de ressaltar que as críticas que não seriam toleradas seriam apenas as “infundadas”. Disse, ainda, que atitudes como a do colega tucano de chamar a proposta de imbecil comprometiam a proximidade entre os dois. Valim retrucou: “Eu não tenho problema nenhum em ficar perto. Eu não mordo”. Acusou o companheiro de partido de apresentar um projeto direcionado a calá-lo. A proposta causadora da discussão deve levar até três semanas para entrar na pauta de votação.

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