Depois de anunciar que queimaria amanhã 1,5 mil pares de calçados em praça pública, num protesto radical contra às políticas cambial e tributária sofridas pelo setor, o Sindicato da Indústria de Calçados de Franca recuou e decidiu promover apenas uma queima simbólica de, no máximo, 50 pares de calçados e fazer doações de sapatos arrecadados das indústrias.
O recuo se deve à promessa da Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) em multar o sindicato em até R$ 70 mil caso o ato fosse realizado.
Jorge Donadelli, presidente do Sindicato da Indústria, disse ontem que a redução no número de pares queimados foi decidida pela assembléia de diretores, depois de uma reunião com o diretor regional da Cetesb, Francisco Roberto Setti, que se posicionou contra a forma do protesto, alegando questões ambientais.
Ao Comércio, Setti disse que qualquer que seja a queima de calçados na praça, mesmo que simbólica, o sindicato será advertido.
Com isso, ao invés de queimar os 1,5 mil pares de calçados, o sindicato pedirá para que as empresas façam doações para serem distribuídas à entidades.
O protesto, programado para quinta-feira, 21, às 10 horas, na Praça Nossa Senhora da Conceição, continua mantido, com o convite a representantes de outros pólos calçadistas, como Birigüi e Jaú, e trabalhadores do setor.
Mesmo após reduzir o protesto, Donadelli disse que a expectativa é reunir cerca de 200 empresas, inclusive de componentes. Está prevista ainda a participação de trabalhadores, que devem dispensar seus funcionários às 9h30.
Esse protesto pode resultar em outras manifestações de alerta ao governo federal. “Vamos avaliar a repercussão”, disse Donadelli.
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