Já pensou ser dono de uma vila com 70 casas, avenidas largas e sem buracos, a poucos metros da escola, com muitas árvores frutíferas, um clube com acesso gratuito, um centro comercial (seis lojas e uma lavanderia) e tudo isso a poucos passos de um belo lago de águas calmas com 32 quilômetros de extensão? Ah! você ainda pode contar com igreja, campo de futebol, quadras de peteca, hotel e um aeroporto com pista de pouso de 1.080 metros.
Quem quiser trocar a vida agitada da cidade grande por essa tranqüilidade pode comprar o pacote todo pela bagatela de, no mínimo, R$ 6 milhões. Exatamente. Esse é o preço calculado pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) pela Vila de Jaguara, situada às margens da represa de Jaguara no lado do Estado de Minas Gerais que está à venda.
O lugarejo, localizado a cinco quilômetros de Rifaina e 33 de Sacramento, pertence à Cemig (Centrais Energéticas de Minas Gerais) e foi construído há 36 anos para abrigar os antigos funcionários da Usina Hidrelétrica de Jaguara. A cidade, que tem quinze ruas, hoje conta com apenas um morador: o engenheiro-eletricista e responsável pela usina, Nilton Braz de Moura Silva, 48, que nos fins de semana vai para Uberaba, onde sua família mora.
Mas nem sempre foi assim. No final da década de 80, a vila chegou a abrigar cerca de 500 moradores - 120 funcionários e familiares -, que não precisavam sair do lugar nem mesmo para fazer compras. As famílias encontravam tudo no centro comercial, que tinha até locadora de vídeo. “Aqui só faltava cinema”, brinca Braz. Aos poucos o número de funcionários começou a diminuir até chegar a 31. Os moradores também decidiram ir embora e, há dez anos, a vila ficou praticamente vazia.
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Até o ano passado ainda era possível ver alguns turistas no Hotel Jaguara, que procuravam o local para descansar às margens do lago. Mas o hotel, de 17 quartos, também foi desativado há um ano. A casa de visitas com seis suítes, construída especialmente para abrigar a diretoria da Cemig que constantemente estava na vila, também está de portas fechadas. Da construção feita toda em pedra, ainda é possível ver as cortinas brancas nas janelas.
Nada mais. Não há mais nenhum movimento. O único barulho no local é dos pássaros. “Agora, a diretoria se hospeda em hotéis de Rifaina ou Sacramento”, afirma o engenheiro.
As duas piscinas do clube também estão vazias, assim como o salão de bailes não vê movimento há tempos. As quadras estão encobertas por folhas. O mato também toma conta do gramado em frente às casas e do campo de futebol.
A única movimentação que ainda é possível ver na Vila de Jaguara é na Escola Municipal “Naná Kubitschek Soares”, administrada pela Prefeitura de Sacramento, onde estudam 51 alunos da zona rural de 1ª a 4ª série. A escola também está com os dias contados. Esse será o último ano letivo na escolinha que tem dez salas, biblioteca e espaço para refeitório. “Como a Cemig quer vender a vila, a escola não pode continuar funcionando”, disse Braz. No próximo ano, a Vila de Jaguara estará ainda mais silenciosa à espera de um novo dono. O edital para o leilão será publicado até março de 2007 e quem pagar mais, leva.
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