Pense na situação: durante a temida prova de química, você percebe um barulho estranho, vindo do colega atrás de você. Um nhéc, nhéc incessante que, mesmo baixo, tira sua concentração.
Passa um ou dois minutos intermináveis, mas o sujeito não pára de mascar aquele maldito chiclete. Você se vira, dá uma olhada como quem diz “vai parar ou quer que eu te arranque os dentes?” Ironicamente ele sorri, mostrando o tom rosa-claro da massa já gasta do que foi um chiclete de tutti-frutti entre os dentes. “Cuspindo fogo”, você se dá por vencido(a), termina a prova e vai embora amaldiçoando o inventor do chiclete.
Se você não é o cúmulo da paciência ou um monge budista que não se desgasta com nada, certamente já perdeu as estribeiras com isso. Afinal, por que coisas tão pequenas irritam tanta gente? É você que é chato ou realmente mascar chiclete é capaz de levar muita gente à loucura? Não se deve levar tudo a ferro e fogo, mas o fato é que para muita gente mascar chiclete é, no mínimo, deselegante. De boca aberta, então, nem se fala.
Crianças e adolescentes, no entanto, não estão nem aí. Sempre terão um a tiracolo para qualquer ocasião. Fácil e prático. É só sacar um do bolso, abrir a embalagem e botar o maxilar para trabalhar.
NHÉC, NHÉC
Nhéc, nhéc! É ouvir esse barulho e a dona de casa Clarice Trindade fica irritada. Ela, como boa parte das mães brasileiras, não suporta ver seu filho Vinícius com chiclete na boca. “É um horror, grotesco. Sem falar que prejudica os dentes”, diz Clarice.
A dentista Kelly Cristina Estevam, por exemplo, não aconselha o seu uso em nenhuma ocasião. “O açúcar contido nesses produtos é alimento para bactérias que liberam substâncias ácidas responsáveis pela descalcificação dos dentes”, explica Kelly.
Mas, será que os jovens se dão conta disso? João Paulo Copertino, 16 anos, é um aficionado por chiclete. Sempre tem um à mão. É estudante e modelo e sabe que os dentes são uma espécie de cartão de visitas das pessoas. “Para compensar o gosto por mascar chiclete, aumento a quantidade de vezes que escovo meus dentes por dia”, diz João Paulo.
GASTRITE
Cárie é a primeira palavra que vem à cabeça de muitas pessoas quando o assunto é chiclete. Mas, a saúde dos dentes não é o único alvo do famigerado chiclete. O consumo excessivo da goma, diariamente e em grande quantidade, pode causar gastrite.
“Quando o chiclete é mastigado, o estômago entende que deve dar início ao processo de digestão, aumentando a acidez local. Sem alimento para digerir, os sucos gástricos despejados acabam por irritar a mucosa do estômago. Quanto mais vezes isso acontecer, pior para o estômago”, disse o clínico-geral Marco Aurélio Piacesi.
Além destes problemas, há ainda a irritação das pessoas causada pela mastigação. João Paulo já provou deste amargo sabor. “Numa aula de inglês, a professora me pediu para sair porque estava mascando chiclete”, disse.
HISTÓRIA
A origem do hábito de mascar chiclete é controversa. Alguns autores afirmam que o hábito de mascar gomas surgiu entre os índios da Guatemala, que mascavam uma resina extraída de uma árvore denominada chicle com a finalidade de estimular a salivação. Outros, que o hábito surgiu entre os maias. Também na Grécia antiga era comum mastigar a resina de uma árvore chamada mastiche para lavar os dentes e melhorar o hálito.
Muitas substâncias foram utilizadas na composição dos chicletes até que Thomas Adams, na dúvida entre produzir pneus ou brinquedos, teve a idéia de mastigar a borracha com que trabalhava. O chiclete, que hoje é fabricado com subproduto do petróleo (sábia?), já teve como matéria-prima o látex de diversas árvores.
Colaborou Paula Faciroli
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