Marcos Rezende, 40, pespontador, perdeu a família (pai, mãe e irmão), a casa, o carro e o emprego e há mais de 15 anos vive na rua à procura de ajuda. Ele é um dos integrantes do grupo que todos os dias faz da Praça Carlos Pacheco, em frente ao Cemitério da Saudade, uma moradia. “Fico aqui porque não tenho para onde ir. Gosto de olhar o movimento do cemitério”, disse.
Consciente de que a praça não é o melhor local para cozinhar ou lavar roupas, diz que está ali por falta de opção e que procura por uma nova chance. “Se me arrumarem um pedaço de terra ou barraco, com um serviço, saio da rua e deixo de beber”. Adriana Aparecida Silva, acompanha Rezende na rua e também gostaria de ser ajudada. Bêbada ao meio-dia de uma segunda-feira, não consegue concluir as frases e deita sobre um banco. “Ela precisa de um tratamento. De uma casa para morar”, pede o marido. “Já me chamaram para morar em uma associação, mas não quero deixar ela”, disse Rezende.
Pedintes de dinheiro para a compra de pinga e cigarro, o casal costuma dormir em casas ou prédios abandonados. Comida, só quando ganham. “Na rua, a gente perde a vontade de tudo. Às vezes vou trabalhar de chapa, mas não consigo ficar muito tempo, pois estou fraco”. Segundo ele, do grupo apenas quatro não têm moradia. “Os outros ficam aqui, mas têm família, têm onde morar e tomar banho”, diz o homem, que sonha um dia ter uma nova vida. “Sei que incomodo, mas ninguém me ajuda”.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.