Praça do Cemitério da Saudade vira moradia


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Fonte da Praça Carlos Pacheco serviu ontem como varal para as roupas de um grupo de moradores de rua
Fonte da Praça Carlos Pacheco serviu ontem como varal para as roupas de um grupo de moradores de rua
A Praça Carlos Pacheco (Cemitério da Saudade), no Centro de Franca, transformou-se em moradia. Ali, pelo menos oito andarilhos, seis homens e duas mulheres, passam a maior parte do dia, cozinham, preparam churrasco, bebem pinga e até mesmo lavam, estendem roupas e fazem suas necessidades. Ontem, com o tempo nublado, as estátuas e o chafariz da fonte foram usados como varal e despertaram a atenção de quem passava pelo local. Segundo comerciantes e moradores da região, a cena se repete diariamente e é comum flagrar os mendigos no preparo de carnes ou outras refeições. Para proteger do vento e evitar curiosos ou ações de autoridades, o fogão de brasa é montado atrás dos bancos. A refeição de ontem era lingüiça frita, conseguida por doações. Buracos na terra e arbustos servem como esconderijo de produtos e objetos pessoais. Antigo ponto de encontro e lazer, a praça deixou de ser freqüentada. “As pessoas evitam passar por aqui. Antes, as crianças andavam de bicicletas e as mulheres faziam caminhada. Tudo acabou depois que eles chegaram”, disse um vendedor, que preferiu não se identificar. Para um comerciante, que acompanha a rotina dos moradores da praça, eles não são agressivos, mas assustam em razão da abordagem que fazem para pedir dinheiro. “Um dia, uma senhora entrou aqui assustada, pois um deles tentou pará-la. Ele estava bêbado e queria que ela ajudasse com algum centavo”, disse. A sujeira do espaço público é outra reclamação. Todos os dias, a praça é limpa pelos funcionários da Prefeitura, mas em pouco tempo está cheia de papéis, garrafas e resto de comidas. Outro agravante é o cheiro de urina, que se intensifica em dia de temperaturas quentes. “Alguém precisa tomar uma providência. A polícia sempre é chamada, leva eles embora, mas depois de algum tempo a turma retorna”, revelou uma vizinha. Na hora de tomar banho e conseguir água, os novos proprietários da praça utilizam o Cemitério da Saudade. Os mendigos sempre deixam a área no começo da noite, em busca de uma casa abandonada para dormir, mas retornam no dia seguinte.

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