Uma fé comprovada


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A segunda leitura da missa deste domingo tem como tema central: A Fé. O trecho é colhido da carta de São Tiago. Possuindo uma má interpretação do que escutaram, alguns membros de comunidades cristãs chegaram a afirmar ser possível salvar-se mediante certo tipo de fé que dispense as pessoas das conseqüências que a mesma fé acarreta. Essa concepção combinava perfeitamente com os interesses e ambições dos ricos opressores dos pobres: cometiam suas injustiças e podiam continuar a ser cristãos de corpo e alma. No fundo, tinham fé num deus que os isentava da justiça, fraternidade e solidariedade. São Tiago se mostra claro a esse respeito revelando-lhes o engano que vivem: “o que adianta se alguém disser que tem fé, mas não tem obras? Poderá a fé salvá-lo? O que adianta afirmar ‘Eu creio’ se essa profissão de fé não se traduz em prática? Sem as obras, a fé estará morta em si mesma. Portanto, as ações de justiça são a alma da fé, o princípio vital que move à ação. Sem as obras não é possível alguém afirmar ser cristão. As boas intenções não são suficientes para que alguém possa se declarar cristão, mesmo que acredite “de corpo inteiro” em todas as verdades de fé. Não são os frutos que dão vida à arvore, entretanto, a árvore que não produz frutos é como se estivesse morta. Quando uma criança aprende as primeiras lições de fé iniciando sua caminhada para 1ª Eucaristia se faz uma tentativa: conquistar aquele pequeno coração para Jesus e lhe é dito claramente: nossa fé não pode passar em branco por este mundo, mas, em cada dia é preciso “semear” a boa semente da caridade ou amor ao próximo. Se a criança aprende e faz o exercício do amor, vivenciando a partilha, o mundo continuará encontrando “generosidade”. A família é o ambiente propício para se exercitar o amor ao semelhante. Em nossos tempos, exercitar a “inclusão social” é muito importante. Mesmo com todas as dificuldades pelas quais passamos, sempre é possível ajudar. Todo despojamento contribui para a alma respirar. Quando se faz a experiência da ajuda ao necessitado, o coração do que ajuda sente redobrada felicidade. A caridade não pode encontrar barreiras de religião, raça ou condição social. Muitas instituições existem para nos auxiliar a encontrar o caminho do céu. Jesus disse que sempre teríamos pobres pelo mundo. E o Pai do Céu sempre concede oportunidades para ajudar aqueles que surgem necessitados. Muitas vezes nosso coração é “tocado” para ajudar alguém. Ali é a hora da graça divina, é o tempo da nossa salvação. Não importa a quantidade oferecida, o que importa é o amor empregado. Não importa a quem é oferecido, o que importa é saber partilhar. São Francisco de Assis ensinou com a própria vida: “é dando que se recebe...” Madre Teresa de Calcutá encontrava nos pobres e sofredores o coração de Jesus pulsando necessitado de amor, e ela ajudava e impulsionava outros a ajudarem. Dom Luciano Mendes de Almeida, Arcebispo de Mariana, falecido no último mês de agosto, foi e será sempre lembrado pela caridade que todos os dias praticava. Durante seu velório quantos testemunhos de pessoas humildes, que choravam, pois se chora ao perder um pai... Eles cumpriram a missão e nós estamos aqui, nossa missão deve ser cumprida... É preciso agir e todos os dias descobrir um modo para ajudar o semelhante. PADRE JOSÉ GERAL SEGANTIN é pároco da Catedral de Franca

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