A advogada francana Adriana Telini Pedro, acusada de envolvimento com o crime organizado, está proibida de exercer a profissão por 12 meses. Ela foi suspensa ontem pela 13ª Turma do Tribunal de Ética e Disciplina da seção de São Paulo da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Na sessão de julgamento, na Casa do Advogado de Ribeirão Preto, dos 14 relatores presentes, foram 10 votos a favor do voto do relator, nenhum contra e quatro abstenções, incluindo a do presidente da mesa, Luiz Gastão de Oliveira Rocha, que só pode votar em caso de empate.
Da decisão, cabe recurso, que terá efeito suspensivo automaticamente, conforme o Código de Ética da entidade. Ou seja, a partir do momento em que o recurso for ingressado em instância superior, em São Paulo, a decisão de ontem tem sua aplicação suspensa até que haja uma decisão final, no Conselho Federal da OAB, em Brasília, se for o caso, o que pode demorar meses, e até anos.
Aliado ao fato de que a suspensão preventiva de 90 dias termina no próximo dia 23, Adriana poderá voltar a exercer a profissão e assinar ações na Justiça, apesar de toda a repercussão negativa sobre o caso.
A sessão foi sigilosa e ninguém foi autorizado a entrar no amplo auditório da Casa do Advogado de Ribeirão Preto. O julgamento de Adriana Telini Pedro durou duas horas. A advogada francana chegou ao local por volta das 9h20, não disse nada, com um sorriso aparentemente nervoso. Ela estava acompanhada do advogado Rui Engrácia Garcia, um de seus defensores (o outro foi Antônio Moraes Silva, que fez a sustentação oral). Ao chegar à Casa do Advogado, Adriana foi levada para uma sala reservada, onde pôde descansar, o que ocorreu por volta das 10h20.
Antes do julgamento, Antônio Moraes Silva estava confiante. “O julgamento é nulo de pleno direito”, disse, em entrevista coletiva. Ao anunciar a suspensão de sua tutelada, o discurso era outro: “O julgamento foi mais político do que jurídico”, declarou Silva.
O julgamento, um dos 12 da pauta de ontem, terminou por volta das 12h30. Até então, somente quem estava dentro do auditório sabia do veredicto. Do lado de fora, a reportagem apenas observava as reações das pessoas. Assim que terminou o julgamento, Adriana Telini tomou um copo de suco, dirigiu-se ao presidente do Tribunal de Ética, Luiz Gastão de Oliveira Rocha, gesticulou e reclamou. Em seguida, junto com seu defensor, Adriana saiu do auditório da OAB de Ribeirão Preto por uma porta lateral, evitando o contato com a imprensa. Alcançada pela reportagem, manteve-se calada, mas sorridente. A partir do dia 23 estará livre para voltar a desfilar livremente pelos corredores dos fóruns.
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