Imagine um jogador de futebol que marca um gol de placa daqueles que valem o ingresso e logo depois pisa na bola e marca um gol contra. Foi longe dos gramados, é verdade, mas a Câmara de Franca protagonizou uma jogada semelhante durante esta semana.
Após se sensibilizar com matéria publicada pelo Comércio, o presidente da Casa, Marcelo Mambrini (PMN), se dispôs a repassar cerca de R$ 1,3 milhão à Prefeitura para ajudar na realização de cirurgias eletivas. Anotou um belo tento, mas não teve tempo de comemorar.
No mesmo dia em que a notícia foi divulgada, uma pisada de bola do vereador Zezinho Cabeleireiro (PTB) tratou de abafar a proposta. Com medo de ter sua moto roubada, Zezinho não pensou duas vezes e decidiu guardá-la em segurança dentro da Câmara, em plena galeria dos ex-presidentes. Evitou o furto, mas não escapou de críticas.
A iniciativa positiva foi anunciada na quinta-feira, 14. Após ler uma reportagem publicada pelo Comércio a respeito do sofrimento das mais de 5 mil pessoas que esperam por uma cirurgia eletiva (consideradas não-emergenciais) na cidade, Marcelo Mambrini decidiu repassar as sobras orçamentárias da Câmara para a Prefeitura agilizar a realização das cirurgias.
O dinheiro seria resultado de economias feitas ao longo do ano. Há tempos, a devolução das sobras é prática tradicional na Câmara. A cada ano, muda-se apenas a entidade ou setor beneficiado. “Acredito que o dinheiro será muito útil e poderá aliviar a situação das pessoas que necessitam passar pelas eletivas. Estamos dispostos a ajudar, mas o repasse depende da concordância da Prefeitura e da aprovação dos demais vereadores”.
Mambrini já solicitou à Secretaria de Saúde que faça um levantamento de quantas cirurgias poderão ser feitas com a verba doada pela Câmara.
O secretário de Saúde, Alexandre Ferreira, aprovou a proposta e disse que o dinheiro, caso seja liberado, será bem-vindo. “Com certeza, ajudará muito, mas não significa que acabará com o problema de uma hora para outra. Após tudo aprovado, teremos que fazer uma programação e estabelecer prioridades para, depois, começar as cirurgias”. Atualmente, são feitas 193 eletivas por mês. A idéia seria dobrar o número, mas não bastam dinheiro e vontade. É preciso saber se a Santa Casa terá condições de absorver a demanda.
Para economizar combustível e se locomover com mais agilidade pelos bairros da cidade, o vereador Zezinho Cabeleireiro comprou uma moto Honda Titan por R$ 6,8 mil. Financiou o pagamento em 24 prestações mensais de R$ 370. Como acabou de fechar o negócio e pagou apenas a primeira parcela, tem tomado o maior cuidado do mundo para não perder seu novo meio de transporte.
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Na terça-feira, 12, temendo entrar para a relação das vítimas de furtos e roubos, deixou o plenário durante o andamento da sessão e foi até o pátio de veículos onde estava sua moto. Deu partida e decidiu guardá-la num local seguro, de onde ninguém ousaria tirá-la. Sem o menor constrangimento, estacionou o veículo diante da galeria de fotos dos ex-presidentes. “Cê (sic) sabe como tá hoje, é preciso previnir (sic). Já eram mais de nove horas. Conversei com o Afonso (diretor da Câmara) e pedi para abrir a porta para guardar a moto, senão, iriam roubá-la. Ele disse que poderia colocar lá dentro. Jamais faria sem sua autorização”.
O diretor da Câmara admitiu ter sido procurado por Zezinho. “Já era tarde e ele estava preocupado”. Mas disse que o orientou a colocar a moto no corredor existente entre a Prefeitura e o hall de entrada dos vereadores. A faxineira é apontada como a autora da ordem de guardar a moto na galeria de fotos. “Como tinha que fechar a porta e ligar o alarme, a dona Silvana (faxineira) disse para ele colocar lá (na galeria)”.
A postura do vereador suscitou polêmicas e debates nas rádios da cidade. Marcelo Valim (PSDB), vereador que comanda a Hora do Cacete, programa transmitido pela Rádio Difusora, tomou conhecimento do caso por meio de uma foto publicada no Comércio. “Tá tudo errado, onde já se viu um vereador fazer uma coisa dessas?”.
O presidente da Câmara, Marcelo Mambrini, concordou com Marcelo Valim, disse que Zezinho errou, mas, provavelmente não foi por maldade. “Já conversei com ele e o orientei para que este tipo de situação não volte a ocorrer”.
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