Depois de suspendê-la preventivamente por 90 dias, os 20 relatores do Tribunal de Ética da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) se reúnem novamente hoje para decidir se a advogada francana Adriana Telini Pedro poderá ou não atuar na profissão.
Hoje, a partir das 9 horas, na Casa do Advogado de Ribeirão Preto, ela será julgada pelo processo disciplinar movido pela subseção de Franca em 23 de maio, dois dias depois de o jornal Comércio da Franca ter publicado uma denúncia de ligação da advogada com o crime organizado da região.
Em gravações telefônicas efetuadas pela Polícia Civil autorizadas pela Justiça, Adriana Telini é flagrada dialogando com Eurípedes Moura Júnior, vulgo “Perna”, que foi escondido no escritório da advogada por ela mesma, na Rua Marechal Deodoro, esquina com a Rua Estevão Leão Bourroul, em junho de 2005.
Na mesma época, foram gravadas conversas de Adriana Telini com um bandido, indicando-lhe o local onde estaria uma cliente sua que havia acabado de deixar seu escritório com R$ 30 mil obtidos de uma partilha de uma casa numa ação de separação judicial. A advogada francana também foi flagrada conversando com familiares de um bandido preso, pedindo as coordenadas de uma porção de maconha que estava enterrada no quintal da casa do marginal.
Adriana Telini Pedro também é acusada de utilizar o telefone de seu escritório como central telefônica de bandidos ligados ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A advogada tambémse comunicou com Evandro Carlos de Faria, preso na cadeia de Mirandópolis (SP), com quem teve um tórrido romance.
O envolvimento de Adriana Telini com o mundo do crime organizado fez a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Tráfico de Armas convocá-la para prestar esclarecimentos em meados de julho. Ao sair do plenário 14, recebeu a promessa, jamais cumprida, de que receberia proteção especial da Polícia Federal.
No dia 23 de junho, na OAB em Ribeirão Preto, em sessão concorrida, Adriana Telini foi suspensa preventivamente por 90 dias por 14 votos a zero. A advogada, através de seu defensor, o também advogado Rui Engrácia Garcia, que a representou em Ribeirão Preto, recorreu ao Conselho de Ética, em São Paulo, que manteve a decisão prévia.
A julgar pelos resultados anteriores, o rigor da decisão e o fracasso da defesa no recurso para São Paulo, Adriana Telini tem grande possibilidade de ser excluída dos quadros da OAB. Neste caso, o Tribunal de Ética de Ribeirão só poderá recomendar a cassação do registro da advogada, que será decidida em São Paulo.
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