“Não quero perder meu outro filho”. Desta maneira a pensionista Pastora de Jesus dos Santos, 64, definiu o drama familiar que vive. Na segunda-feira, sua filha Maria Cristina Oliveira, 24, morreu, vítima de parada cardiorrespiratória, após esperar socorro de uma ambulância por mais de duas horas. Agora, teme por outro filho, o sapateiro José Nilson Oliveira, 36, que sofre de câncer.
Segundo Pastora, ela não tem recursos para dar o tratamento adequado ao filho e diz que não conta com ajuda da Prefeitura para comprar equipamentos e remédios. José Nilson tem câncer no esôfago e se alimenta por meio de uma sonda gástrica. Está debilitado. Não consegue andar sem que alguém lhe dê apoio. Quase não fala. Na quarta-feira, ele passou por uma consulta no Hospital do Câncer. Segundo o médico que o atendeu, o tratamento que amenizaria a situação seriam sessões de rádio e quimioterapia.
Para que possa iniciar as sessões, o médico solicitou uma tomografia para saber a localização exata do tumor e seu tamanho. Para realizar este exame, porém, são necessários a autorização e o agendamento no NGA-16. O procedimento demora, em média, um mês, e a família teme que José não tenha este tempo. “Nosso medo é que ele não agüente esperar”, disse sua irmã, Maria Aparecida.
Para piorar, na casa de Pastora, além dela, moram três filhos.
Todos estão desempregados. A única renda são os R$ 350 deixados de pensão pelo falecido marido. Deste valor, pelo menos R$ 200 são gastos com o tratamento de José. “Não reclamo. O problema é que o dinheiro é pouco para muita coisa. Estou devendo mais de R$ 200 na farmácia e não tenho como pegar mais remédios. Não quero que aconteça com ele o mesmo que aconteceu com a Maria Cristina.”
José precisa de frascos plásticos e mangueiras que ligam os frascos à sonda para passar a alimentação. Cada conjunto, descartável, custa em média R$ 4. Seriam necessários sete por dia. Há um mês os equipamentos não são trocados. “Parece que é pouco, mas não temos este dinheiro. A gente tem que lavar e reaproveitar os frascos para poder dar comida para ele. Temos medo de uma contaminação, mas não tem outro jeito”, disse Maria.
Quem quiser ajudar à família pode ligar para o telefone 3701-4636 ou ir à Rua Francisco Provesani de Lima, 2309.
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