A transferência do setor de produção da empresa Calçados Pé de Ferro para o Ceará, com o fechamento de aproximadamente 300 empregos para os sapateiros de Franca e a iminência de outras empresas terem o mesmo destino, com o fechamento de mais postos de trabalho, fez o Sindifran (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca) tomar uma posição inédita. A entidade marcou para o dia 21, quinta-feira, às 10 horas, na Praça Nossa Senhora da Conceição, um protesto com a queima de pés de sapato.
E o Sindifran não quer ficar sozinho: convidou até o Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçados, seu tradicional inimigo em negociações salariais, para participar do protesto, com as duas entidades lado a lado, de mãos dadas os empresários e representantes do proletariado.
O sindicato patronal confirmou também a presença do prefeito Sidnei Franco da Rocha (PSDB) no ato. Candidatos a deputados federal e estadual também foram chamados. Haverá também representantes dos sindicatos das indústrias de calçados de Jaú, Birigüi e Santa Cruz do Rio Pardo.
O conselheiro do Sindifran e empresário Carlos Brigagão disse que a manifestação será pacífica. “Vamos queimar pés de sapatos, e não pares inteiros. O nosso objetivo é chamar a atenção, mais uma vez, para o governo, da difícil situação vivida pelo setor calçadista”, disse. Ainda de acordo com Brigagão, as reivindicações são as mesmas de dezembro do ano passado, quando representantes do Sindifran e da Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) estiveram com o presidente Lula em audiência oficial no Palácio do Planalto e reivindicaram atenção maior para a concorrência chinesa e para as questões cambial e tributária. “Entregamos um ofício pessoalmente ao presidente. Mas, até agora, nada foi resolvido.”
Além dos representantes dos trabalhadores, autoridades e políticos em campanha eleitoral, o Sindifran quer também a participação da comunidade. “As fábricas dispensarão os funcionários mais cedo para a manifestação. Convocamos escolas e outras entidades porque não se trata somente de uma crise no setor calçadista, mas de toda uma cidade que depende desta atividade econômica”, disse Brigagão.
Apesar da participação de autoridades e políticos da região, o empresário fez questão de frisar que o protesto promovido pelos empresários não terá cunho político-partidário. “A questão é a sobrevivência das fábricas e dos empregos dos francanos, e não de defender um ou outro partido”, disse.
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