A dona de casa Maria Aparecida Souza, 54, mora com o marido na Rua Presidente Delfim Moreira, 490, no Jardim Dermínio. A família comprou e ampliou o imóvel há 29 anos, mas está em área de risco e precisa se mudar. Há seis anos, a Prefeitura tentou removê-los, mas se recusaram a deixar o local e hoje temem que o teto desabe sobre eles, principalmente com a chegada das chuvas. “Está tudo rachado. O chão está afundando. A gente acorda à noite com a casa ‘estralando’. Se começar a chover, as casas não vão agüentar”, disse ela.
Eles arrumam os estragos constantemente, mas os investimentos são em vão, pois as rachaduras reaparecem. “O piso da garagem rachou, a abertura tem dois dedos de largura; meu marido remendou, mas não adianta. O problema está na terra. Não há solução.”
Em 2000, a perícia feita pela Defesa Civil constatou o risco no imóvel e determinou que a família deixasse o local, mas os moradores não quiseram. “Levei 20 anos para construir aquela casa. Não podia sair, pois roubariam e depredariam tudo. Agora tenho de deixar o lugar porque a casa está caindo”, disse o pedreiro aposentado Antônio Muniz de Souza, 58. Segundo ele, o imóvel está avaliado em R$ 60 mil, mas ele está disposto a negociar o valor com a Prefeitura. “Quero comprar outra casa e viver sossegado com minha mulher, pois já somos de idade.”
A mulher dele também já aceitou a idéia de deixar o bairro. “Gosto do lugar. Foi onde criei meus filhos, mas se continuarmos aqui a casa vai cair e matar a gente. Peço a Deus todos os dias nas orações do Padre Marcelo para nos tirar daqui”, disse ela.
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