Um levantamento realizado pela Secretaria de Planejamento Urbano no ano passado constatou que 22 casas estão em áreas de risco no Jardim Dermínio. A Prefeitura precisa de R$ 600 mil para desapropriar esses imóveis, que podem desabar a qualquer momento e são alvos constantes de invasões de marginais.
Desde o início do governo Sidnei Rocha (PSDB), apenas cinco casas foram desapropriadas e os moradores, indenizados. Outras 17 famílias continuam na fila, a maioria morando em casas alugadas pela Prefeitura (alguns se recusam a sair do imóvel apesar dos riscos). “A idéia era resolver um caso por mês, mas não é possível, pois a desapropriação é demorada e exige muitos documentos. Seguramos os casos e resolvemos conforme disponibilidade financeira nas contas públicas e ordem cronológica de cada um”, disse o secretário de Finanças, Sebastião Ananias, acrescentando que o processo de desapropriação continuará em doses “homeopáticas”.
O desalojamento dos moradores foi feito ainda na administração Gilmar Dominici (PT) entre 2000 e 2003, depois de a Defesa Civil vistoriar os imóveis e determinar a desocupação por apresentarem risco de desabamento. Algumas famílias foram retiradas e colocadas em moradias alugadas. Outras resistiram e continuam no bairro. Atualmente, a Prefeitura custeia locação dessas casas e paga R$ 300, em média, por mês, para cada uma. Com esses gastos, a cada seis meses, o município perde a chance de liquidar mais um processo de desapropriação, cujo valor fica entre R$ 30 mil e R$ 38 mil, segundo Ananias.
A lentidão na eliminação do problema é ruim para a Prefeitura e pior para quem continua lá. A dona de casa Maria Aparecida Souza, 54, teme que sua casa caia. “Se começar a chover, as casas não vão agüentar... Vai cair e matar a gente”. Os moradores do Jardim Dermínio ainda convivem com a bagunça de pessoas que invadiram os imóveis desocupados e não demolidos.
O secretário Sebastião Ananias acredita que até fim do governo conseguirá resolver boa parte das pendências. “A partir do próximo ano, teremos mais possibilidades de usar o orçamento em desapropriações e demolições.”
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