Vinte, 30, 40, 50 minutos, uma hora. A viagem nos ônibus circulares de Franca transporta muitas histórias nesse tempo. Retratos de uma população batalhadora, divertida e que, na correria do dia-a-dia, ainda consegue tempo para observar a vida nas ruas e avenidas da cidade através das janelas dos coletivos.
Por dia, cerca de cinco mil passageiros usam os circulares. Um deles é Éder Santos Oliveira, 15, estudante do curso de confecção eclética de calçados do Senai. Ele mora no Jardim Aeroporto III. Desde janeiro sai de casa às 7h20 com destino ao Centro de onde parte no Circular II para sua escola. Depois de 35 minutos no ônibus, desce em frente ao Senai, na Presidente Vargas. “Faço esse percurso todos os dias, já me acostumei. Nem sinto cansaço”, disse.
Se para Éder o fato de demorar cerca de uma hora e trinta minutos de sua casa ao curso não é cansativo, para outras pessoas que utilizam o circular esta espera parece interminável. Joana D’Arc Nascimento, 49, mora no City Petrópolis. Duas vezes por semana, ela vai ao Hospital do Câncer, onde faz tratamento de quimioterapia. Para isso, também depende do Circular. Ela não reclama do itinerário, até porque é necessário, mas precisa sair do bairro onde mora e descer na Estação, de onde parte para o HC. Ontem, Joana saiu do bairro às 7h20 e embarcou no Circular na Estação às 8h25. Eram 8h50 quando chegou ao seu destino. “Cansa mas, pelo menos existe esta linha que me leva até lá. Pior seria se este ônibus não existisse”, disse.
Todo o percurso de uma hora e 4 minutos feito pelo Circular é um momento de diversão e lazer para o servente de pedreiro aposentado José Domingos, 67. “Não tenho nada para fazer em casa, então gosto de andar de ônibus e olhar as avenidas, ruas, lojas novas”, disse.
Domingos mora no Parque Vicente Leporace e, ao menos duas vezes por semana, utiliza o Circular para dar a volta na cidade. “Esse ônibus é bom porque vou de um lado para outro na cidade e paro só no terminal”. O passeio que Domingos fez na manhã de ontem corresponde à viagem de ida de carro a Ribeirão Preto, a 100 km de Franca. “O bom é que me divirto, encontro pessoas e ainda não preciso pagar nada”.
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