Mais de 5,4 mil usuários do SUS (Sistema Único de Saúde) aguardam pela realização de cirurgias eletivas (consideradas não emergenciais e cujos pacientes não correm risco de morte) na região. Somente em Franca, são cerca de 3,5 mil pacientes que esperam o dia em que poderão ser operados.
A maioria são casos ligados às especialidades de cirurgia geral, otorrinolaringologia e oncologia, que juntas respondem por 58% do total. Os procedimentos para os quais a lista de espera é maior, segundo dados da UAC (Unidade de Auditoria e Controle) da Secretaria Municipal de Saúde, são operações de hérnia, retirada de amígdalas e retirada de pedras da vesícula. Não há controle sobre quanto um paciente aguarda em média até ser atendido, mas, a própria UAC admite que existem casos em que este período supera dois anos.
A pensionista Maria Ribeiro da Silva, 70, moradora da Vila Imperador, é uma das mais de 5 mil pessoas cujo nome está na fila das cirurgias. Ela tem uma pedra na vesícula e, há dois anos, aguarda a retirada da mesma. “Sinto fortes dores e não posso comer praticamente nada. Até mesmo leite, que eu gosto, se beber, passo mal. Só me alimento com laranja”, disse. “Fazer o que, né? Tenho de esperar me operarem.” A cirurgia da pensionista, em um hospital particular, custaria em torno de R$ 2,8 mil. “Não tenho como pagar esse valor, então espero pelo SUS, que é de graça”.
Quase todos os procedimentos de cirurgias eletivas em Franca são realizados pela Santa Casa. Por mês, o hospital faz 193 operações. Ou seja, se não entrasse nenhum outro paciente na fila (algo impensável), a partir de agora, seriam necessários 28 meses para zerar o atendimento.
Uma solução para diminuir o sofrimento dos que aguardam seria aumentar o número de cirurgias realizadas pela Santa Casa, mas, para isso, o hospital depende do encaminhamento e do pagamento feito pela Prefeitura. Esta, por sua vez, afirma não ter verbas para custear esse acréscimo. “Já estamos aplicando 22% dos recursos da Prefeitura na Saúde. Estamos no limite do que podemos fazer”, disse o secretário de Finanças, Sebastião Ananias.
Enquanto Santa Casa e prefeitura não se entendem, milhares de pacientes continuam esperando.
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