Um avião caído sobre uma casa, uma enchente, cinema e casas em ruínas, uma estação ferroviária, um galpão abandonado. Esses são alguns dos cenários que ganharam vida na arte de Antônio Lima – um paranaense radicado em Piracicaba – e que ficam expostos até o dia 30 de setembro no Espaço Cultural do Franca Shopping.
São maquetes extremamente minuciosas que encantam pela riqueza de detalhes. A maioria das obras mostra casas em diversas situações. Há desde o cenário bucólico de um fim de tarde em um sítio, com um casal namorando à beira do portão e roupas penduradas no varal, até a aridez da seca, com gado morto no pasto, urubus sobrevoando a carniça e uma mulher caminhando com a lata d’água na cabeça.
Ao visitante, cada maquete parece contar uma história. E uma história recheada de minúcias. Na casa inundada, por exemplo, é possível observar parte do portão debaixo d’água, móveis, galhos de árvores e lixo boiando. No cinema abandonado, você pode ver pelo buraco no telhado a tela e as cadeiras vermelhas que compunham a sala de exibição. Nas casas, as portas e janelas são perfeitas. Além disso, todos os imóveis têm a parte dos fundos, com tanque, balde e bacia. Inclusive, vale a pena visitar a exposição pelos dois lados da bancada onde estão expostas as obras. Outro detalhe que merece atenção são os sacos de lixo colocados nas portas das casas ou nos cenários que representam o abandono das construções, incluindo uma favela. São réplicas fiéis das sacolas de supermercado que, na maioria das casas brasileiras, viraram sinônimo de saco de lixo.
Entre as maquetes maiores, vale a pena prestar atenção na réplica da fábrica de papéis Klabin na década de 70. O caminhão com as bobinas, os papéis velhos amontoados em um galpão, as máquinas. Tudo muito bem representado em pequenas proporções.
Para executar cada uma dessas maquetes, Antônio Lima gasta cerca de três meses. É o tempo necessário para transformar a matéria-prima, feita principalmente de cimento, areia, gesso e massa plástica, em obra de arte. Como ferramentas, nada mais do que estilete e agulha. A precisão obtida com esse último instrumento, que pede mãos hábeis para o manuseio, anuncia a delicadeza de algumas das peças moldadas pelo artista.
Embora os cenários expostos não possam ser medidos em milímetros, cada peça que os compõem pode. Em um deles, por exemplo, foi moldada uma horta, com verduras em crescimento. Em outra, é possível ver que a raiz da árvore quebrou a calçada onde foi plantada. Tem ainda o cenário de um acidente de avião, com a aeronave partida ao meio e caída dentro da casa.
Autodidata, Antônio Lima é um metalúrgico apaixonado pelas maquetes e miniaturas. É capaz de passar horas trabalhando em busca de um resultado perfeito. Na sua casa, em Piracicaba, guarda mais de quatro mil obras. Por causa da riqueza de detalhes que faz questão de mostrar, ganhou o reconhecimento como profissional de arquitetura da Universidade Metodista de Piracicaba. Garante que sua inspiração vem desde os cenários cotidianos de Piracicaba até filmes, lembranças e fotografias.
Não importa de onde venha, é uma inspiração muito bem explorada.
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