Manual prático para aqueles partidos e pessoas que desejam se candidatar e não ser eleitos:
1) Entre duas opções escolha aquela que nas pesquisas tenha o pior desempenho. Afinal de contas, ganhar de virada é mais legal.
2) Crie uma crise interna no partido. Um “racha” como se diz em politiquês. Isso dá a impressão de fragilidade aos adversários.
3) Despreze apoios importantes, rejeite a história como
conselheira. Mostre-se autônomo, independente, suficientemente experiente. Política moderna se faz com o “eu sou”.
4) Conhecendo seu ponto fraco, não se preocupe com ele. Deixe que a impressa e seus adversários o explorem ao extremo. Pense: “a melhor defesa é o ataque”.
5) Demore muito, mas muito mesmo para escolher seu candidato a vice. De preferência crie novo “racha”. Dificulte alianças eficazes. O eleitorado é muito interessado por política no Brasil e vai entender os nós de uma escolha tão relevante.
6) Quando definir o candidato revele o nome, mas tenha a certeza de ser um político totalmente desconhecido da população, com uma imagem irreconhecível em qualquer meio de comunicação. Dê preferência a alguém com a incrível capacidade de não agregar nenhum valor à sua candidatura. Assim seus adversários podem pensar que você é louco, ou amador.
7) Quando começar o horário eleitoral no rádio e na televisão não comece imediatamente a fazer campanha. Isso pode dar a impressão que você quer ganhar a eleição. Finja que não é com você e que o mais importante de uma disputa é competir.
8) Depois de dias de horário eleitoral gratuito, viagens, noites mal dormidas, comida típica de arrepiar até frasco de sal de frutas, mesmo que os números das pesquisas mostrem que você cai como uma ave abatida fatalmente, diga que a campanha ainda não começou e que a virada está por vir. Isso mostra autoconfiança, espírito de liderança e principalmente que você deve ter um plano “B”.
9) Peça aos seus amigos de partido e aliados políticos que falem abertamente que o outro nome (aquele que foi preterido no item 1 deste manual) seria o melhor nome para o cargo que você disputa. Não se esqueça de pedir para que a imprensa noticie isso com todas as letras. Isso vai confundir os adversários e os eleitores também.
10) Fale com freqüência de um político que você considera uma referência. Dê preferência a alguém que já morreu.
Isso fará com que os eleitores se lembrem com facilidade quem foi ele, o que ele fez de bom. No Brasil, o eleitorado tem o hábito de se ligar em assuntos desse tipo e isso fará com que você seja facilmente comparado a ele.
11) Demonstre pouco conhecimento sobre números e problemas dos cargos que já exerceu. Diga que não tem conhecimento disso e nem daquilo. Essa técnica já funcionou uma vez com o seu adversário, pode funcionar com você. Além disso, dá a impressão que o que importa é o que está por vir. O futuro será brilhante.
12) Organize um almoço para angariar fundos de campanha, convide empresários e aliados políticos. Cuide para que ele seja realizado em um local intimamente ligado às elites, os “socialmente excluídos” adoram candidatos com este perfil sócio-econômico.
13) No almoço não deixe de chamar a impressa que deve ter acesso a tudo. Cuide com cuidado para que os principais caciques de seu partido não estejam presentes, principalmente aqueles que foram preteridos na escolha do partido.
14) Conte com a força de uma carta aberta à população, publicada em jornais de circulação nacional, escrita por um dos ícones do partido. Tendo sorte, o documento pode soar com uma espécie de “jogar a toalha”.
Alexandre Leonel é farmacêutico e membro do Conselho de Leitores do Comércio da Franca.
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