A empresa de calçados Pé de Ferro, que transferiu toda a sua produção de calçados da matriz, localizada em Franca, para a filial em Cascavel, no Ceará, tem até hoje para pagar os salários atrasados e as verbas rescisórias dos trabalhadores demitidos na semana passada. O prazo foi estipulado em acordo feito na sede da empresa, pelo proprietário, Márcio Donizete Andrade; o representante da Nova Visão Consultoria, Luiz Bonato; o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçados, Paulo Afonso Ribeiro; e mais dois representantes dos funcionários da empresa.
Os 33 funcionários demitidos na semana passada deverão receber hoje, às 15 horas, na sede do Sindicato dos Sapateiros, na Rua Padre Anchieta. Os 56 trabalhadores que ficarão na empresa, sendo 33 na administração, 17 na área de desenvolvimento e produção e mais seis auxiliares de serviços gerais deverão receber os seus salários normalmente.
A empresa enfrenta uma crise sem precedentes em seus 16 anos de existência. Deve a oito instituições bancárias e a outras empresas de factoring. Neste mês, atrasou os salários dos funcionários de Franca pela primeira vez.
Os trabalhadores da Pé de Ferro Nordeste, em Cascavel (CE), receberam seus salários normalmente, mas haverá uma reunião, na próxima sexta-feira, para definir como será a empresa daqui para frente. Entre as reivindicações dos trabalhadores, está um refeitório que atenda a todos os 700 funcionários da unidade.
Com a demissão de 30 funcionários na manhã de segunda-feira, a empresa desistiu de produzir calçados em Franca, alegando vantagens fiscais oferecidas pelo Governo do Ceará e o baixo custo da mão-de-obra nordestina. Um cortador cearense ganha R$ 400 por mês, enquanto o salário de um francano não é inferior a R$ 1.500. Na matriz, nove funcionários foram mantidos apenas para a fabricação de amostras.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.