Crescimento do PIB de 0,5% no 2º trimestre. Aumento do desemprego. Queda do investimento. Governo mergulhado na corrupção. E o cidadão-eleitor se depara, no contato com a mídia, com uma enxurrada de análises e avaliações que dão a eleição como resolvida a favor do presidente-candidato.
Esse clima me incomoda como cidadão e como homem público. Acho que o eleitor, único verdadeiro soberano na democracia, não está sendo respeitado. Lutamos muito para restaurar a democracia e o voto direto para presidente da República. É apenas no dia primeiro de outubro que o povo vai se manifestar livremente sobre o futuro do Brasil.
Pior do que isso. Esse clima de “já ganhou” contribui para confundir o eleitorado, desestimulando-o a fazer as comparações entre as candidaturas, tira energia da nossa democracia, cria uma sensação de conformismo. Nesse sentido, o volume com que se diz que o atual presidente-candidato “já ganhou” quer criar uma profecia auto-realizável.
Além de desprezarem o cidadão, as análises mais apressadas são frágeis em si mesmas. Temos, ainda, algumas semanas até a eleição. O tempo, na política, é muito relativo. Grandes mudanças nos humores do eleitorado podem se efetuar num tempo curto. Isso ocorreu, por exemplo, na eleição de 2002 para governador, quando Paulo Maluf estava na liderança neste mesmo período e sequer foi para o segundo turno.
É apenas agora, na reta final da campanha, que o eleitor, justificadamente enojado com a atividade política, vai prestar atenção mais detalhada nos candidatos, suas posturas e propostas. A diferença entre o candidato-presidente e a soma dos demais candidatos, da ordem de 12 pontos percentuais, em nada assegura o resultado alardeado pelos comentários apressados.
As análises que afirmam o “já ganhou” do candidato-presidente também falham ao desconsiderar que os erros do presidente ainda não foram julgados pelo povo. Esse julgamento ocorrerá no dia primeiro de outubro. Muitas interpretações afirmam, como se fosse fato concreto, que a putrefação moral do governo foi digerida e perdoada pelo eleitor. Outros afirmam que o pequeníssimo crescimento econômico do Brasil, compensado pelo assistencialismo eleitoreiro promovido pelo governo, serve para comprar as consciências e garantir o voto em Lula. Calma, vamos esperar o povo se manifestar.
Quanto mais a eleição se aproximar, mais o eleitor colocará a mão na consciência e perceberá que não pode premiar um presidente conivente com a rede de corrupção institucional armada em seu governo na sala ao lado da sua. O brasileiro é honesto e preocupado com questões morais e éticas, ao contrário do que sugerem algumas análises. A corrupção e o desperdício de dinheiro público o incomodam profundamente.
Também avalio que o eleitor não vai deixar sem punição um governo que fez o Brasil perder espaço no mundo, ocupando a última posição no ranking do crescimento entre os 28 países emergentes. O governo Lula é campeão em perder oportunidades e condenou os brasileiros a terem menos empregos e menos renda. Isso não vai ficar impune. O eleitor aplicará uma sanção ao presidente-candidato. Até mesmo porque mais quatro anos desse governo significará o desastre para o país.
A oposição apresentou alternativas ao presidente Lula. Geraldo Alckmin é detentor de todos os atributos para colocar o Brasil em um novo caminho, com crescimento econômico e absoluto rigor ético. O Brasil precisa de um presidente que dê o exemplo.
Lula, definitivamente, é um mau exemplo. É um mau exemplo quando afirma que o Brasil “não tem pressa” de crescer - uma afronta contra o brasileiro que anseia por mais empregos e oportunidades. Lula é um mal exemplo quando diz que “política a gente faz com o que tem, não com o que quer”, justificando vergonhosamente o mensalão e outras práticas corruptas. Isso não vai ficar impune. Vamos trabalhar e esperar o dia primeiro de outubro.
JOSÉ ANÍBAL é vereador da capital e ex-presidente nacional do PSDB.
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