Vivendo e aprendendo


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Vivendo aprendi que por mais que se faça pelos outros, eles se lembram é do que não se fez. Que há fenômenos para os quais o homem não tem explicação, tragédias para as quais não há culpados, embora sempre se queira culpar alguém. Que o ápice do desespero pode resultar num suicídio ou então numa reação que muda radicalmente a vida da pessoa. Que só se pode entrar numa floresta até o meio dela; depois disso se está saindo. Que o que se recebe é o reflexo do que se dá. Que amar o próximo é amar a Deus, mas que Deus, para alguns, é mercadoria. Que nada que se faz por amor, por altruísmo, é perdido. Que a reação de um ser acuado, racional ou não, é imprevisível. Que a grande oportunidade da vida pode surgir apenas uma vez; entretanto, há inúmeras pequenas oportunidades para grandes realizações. Que o pior inimigo é o que a gente não vê, que age pelas costas. Que aquilo que se procura lá pode estar aqui. Que a vida é uma sucessão de minutos, horas, dias, anos que voam; nada é para sempre, tudo passa; o viço da juventude se vai, inexoravelmente. Que futuro é um tempo que nunca chega, e longe é um lugar que não existe. Que o que se ferve em fogo brando demora mais para esfriar. As grandes coisas nada mais são do que a soma das pequenas. Que é necessário ater-se a limites. Que certas pessoas nunca estão satisfeitas. Vivendo aprendi a diferença entre adultos e crianças: eles acham nada em tudo; elas acham tudo em nada. Que não se vence sem lutar; não se ganha sempre e se deve aprender com as derrotas. Que a montanha não vai a Maomé. Que o mar nem sempre pára na areia. Que as decisões mais acertadas são as tomadas com o coração. Que há mais gente carente de afeto do que se pode imaginar. Para toda regra há exceção, para tudo há um senão. Muitas vezes está conosco a solução de problemas que procuramos outras pessoas para tentar resolver. Que só o amor vence o ódio, mas o que em muitos casos parece amor nada mais é do que um sentimento de posse. Que um dia é da caça; outro, do caçador. Há males que vêm para bem. Que sempre se pode (e se deve) ver as coisas por outro lado. Que nem sempre agimos como falamos. Que saber falar é bom, embora haja momentos em que é melhor calar. Que nem toda semente brota, mas mesmo assim se deve semear. Que é nobre perdoar, saber enxergar os próprios defeitos, cumprir os deveres. Que tudo tem seu tempo. O mundo é para todos os seres, embora o ser humano nem sempre pense assim. Que as aves, os animais, assim como o bicho homem, gostam é de liberdade. Que cada um é um por inteiro, não existe essa coisa de metade. Vivendo aprendi que as aparências enganam, e como! Que dois não brigam se um não quer, e ser adversário não significa ser inimigo. Que viver fazendo-se de vítima, com pena de si mesmo, só afasta os outros. Que ninguém é o centro do Universo, mas cada um de nós é parte integrante, e importante, dele. Que é possível chorar de alegria. Que homem que não muda de idéia não é homem. Que a amizade é um valioso bem. Que dinheiro não traz felicidade; costuma-se ironizar que só diz isso quem tem dinheiro, mas é aí que está a lógica, pois quem tem sabe bem. Que se deve trabalhar para viver, não viver para trabalhar. Que a verdadeira força não está nos músculos, nem no cérebro, mas na alma. Que respeito e admiração não se impõem: devem ser conquistados. Que o grande valor de certas coisas, certas pessoas, a gente só enxerga depois que as perde. Que não há limite para a ganância, a violência, a insensibilidade, a insensatez humanas. Que bonitos invólucros muitas vezes são apenas disfarces para conteúdos podres. Que muitos acham mais fácil culpar os outros pelos infortúnios do que reconhecer a própria culpa. Que o mundo dá voltas. Que humildade, educação e respeito demonstram grandeza. Que a primeira impressão, boa ou ruim, é a que fica... se não se fizer nada para mudá-la. Que é vil o homem que se corrompe, se vende, que tira proveito da desgraça alheia. Que a pessoa é o que é, não o que tem, e, apesar da deterioração dos valores morais, ainda há muita gente de bem. Que duas ou mais cabeças pensam melhor do que uma. Que é preciso ter princípios e, sobretudo, segui-los. Que se deve buscar o conhecimento e a paz. Que a melhor bússola na vida é o amor. Que viver é aprender. PAULO PEREIRA DA COSTA é promotor de Justiça

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