O empresário Márcio Donizete Andrade explicou que a Pé de Ferro deixou Franca e transferiu sua produção para o Ceará para reduzir custos e usufruir dos incentivos fiscais dados pelo governo cearense.
Comércio da Franca - Por que o senhor transferiu toda a produção para o Ceará?
Márcio Donizete de Andrade - A decisão foi tomada em função de se reduzir despesas e custos. Temos hoje duas unidades equipadas com capacidade para produzir até 10 mil pares por dia. Infelizmente, a demanda está muito abaixo do que imaginávamos, perto de 4 mil pares/dia.
Comércio - Por que a produção caiu tanto?
Márcio - Muito se deve à queda nas exportações. Quando montamos a fábrica lá há nove anos, pensávamos em vender para fora do País tudo o que produzíssemos. Há cinco anos, aumentamos a capacidade da empresa para produzir ainda mais. Na época, o dólar estava na casa dos R$ 2,80 e R$ 3 e hoje ele está a menos de R$ 2,15. Ou seja, nós perdemos capacidade de competitividade. Se o dólar recuperar os patamares próximos a R$ 3 e houver demanda, poderemos voltar a estudar a hipótese de manter uma unidade na cidade.
Comércio - Sair da cidade de origem para instalar a produção no Nordeste é uma tendência das empresas de calçados do Brasil?
Márcio - Tivemos exemplos da Grendene, da Dakota, que deixaram o Sul, e da Pé de Ferro. Pode, sim, ser uma tendência.
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