Família pede reintegração


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Sem-terra carrega bambus para armar barracas na Fazenda Santa Terezinha, onde o grupo está acampado desde a madrugada do último sábado
Sem-terra carrega bambus para armar barracas na Fazenda Santa Terezinha, onde o grupo está acampado desde a madrugada do último sábado
O proprietário da Fazenda Santa Terezinha acionou seus advogados para pedir a reintegração de posse da área invadida pelas famílias integrantes do MLST (Movimento de Libertação dos Sem-Terra). A advogada Maria Cláudia Lima Oliveira, da família de Genevile Micali (proprietário da área) disse no sábado que o pedido de reintegração seria encaminhado à Justiça ainda na segunda-feira (ontem). Procurada pelo Comércio na tarde de ontem, Maria Cláudia não foi localizada, mas a secretária do seu escritório disse que “as providências estão sendo tomadas”. A área ocupada é produtiva. Funcionários estão encerrando a colheita de cerca de 150 mil pés de cafés. Na fazenda moram ainda três famílias que têm carteira de trabalho assinada. Os sem-terra admitem que a fazenda é produtiva, mas afirmam que a invasão ocorreu porque ela faz parte de um possível esquema de grilagem. Inclusive ontem, integrantes do MLST estiveram na sede do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), em São Paulo, na tentativa de denunciar a situação da fazenda. Jean Barreto, coordenador nacional do MLST, disse que eles foram recebidos pelo superintendente do Incra, Raimundo Pires Silva. “Ele se comprometeu a iniciar uma fiscalização em cerca de nove mil hectares na região. Disse que em vinte dias vai iniciar a força-tarefa para levantar áreas com documentações irregulares, com indícios de grilagem e que não cumprem sua função social”. INVASÃO As famílias que ocupam a área estavam há quatro meses na Fazenda Jandira, em Cristais Paulista. A ocupação aconteceu na madrugada de sábado e, no final da tarde do mesmo dia, cerca de cem famílias já haviam montado acampamento na Fazenda Santa Terezinha, localizada às margens da Rodovia Felipe Calixto, que liga Franca a Ribeirão Corrente. Jean afirmou que as famílias não deixarão o local. A propriedade da fazenda, segundo ele, está sendo questionada na Justiça e o herdeiro, o aposentado José Luiz de Oliveira Souza, 65, briga pelas terras há 30 anos. A advogada da família Micali disse desconhecer a disputa judicial e que seu cliente tem toda a documentação da fazenda.

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