O drama que envolve a pequena Kimberlyn Victória Maria da Silva Pereira; sua mãe, Fabiana da Silva Barbosa, 26, e sua avó, a cozinheira Maria Aparecida da Silva, ainda não teve um final feliz. Nascida dentro de uma penitenciária, Victória é filha da cantora francana Fabiana, presa em outubro do ano passado em Johannesburgo, África do Sul, por tráfico internacional de drogas, quando ainda estava grávida. Teve sua filha na prisão.
A criança ainda não saiu do prédio onde a mãe está presa e a maior luta da família no Brasil, nos últimos dois meses, é conseguir sua repatriação. O maior medo da mãe e da avó é de que a criança possa ser dada para adoção.
A avó, uma cozinheira de 44 anos, desempregada e sem condições de pagar os cerca de R$ 2,2 mil pela passagem para aquele país, tenta por meio do governo federal trazer a neta para o Brasil. Antes mesmo de poder ter Victória no colo, a avó já começou a preparar seu enxoval.
Para trazer Victória para o Brasil, Maria Aparecida precisou ajudar sua filha a regularizar o registro da neta. A documentação, com uma autorização do pai biológico para que a menina pudesse ser registrada no nome dele, foi enviada para a embaixada, na capital administrativa sul-africana Pretória, pela Secretaria de Desenvolvimento Humano e Ação Social da Prefeitura de Franca. Mas o processo é demorado mediante a urgência da família em ter o bebê logo em casa. “O que mais me preocupa e deixa a Fabiana apreensiva é o risco de que o bebê seja levado para adoção. Na verdade, não sabemos o que pode acontecer”, se desespera a cozinheira, que também se mostra preocupada pela temporada que as duas têm passado na prisão. “Minha filha disse que precisou vender todo o cabelo para comprar uma caixa de leite para a filha. Isso nos deixa arrasados.”
A assessoria de imprensa do Itamaraty informou, nesta semana, que a repatriação da criança ainda depende da indicação de um funcionário do governo federal para acompanhar Victória e o pagamento da passagem. Para tanto, é preciso dotação orçamentária, o que deve atrasar a viagem. “Ainda luto para conseguir o dinheiro e eu mesma buscar minha neta”, declarou a avó.
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