HPV fuja dele


| Tempo de leitura: 3 min
Em outubro, a primeira e única vacina aprovada contra o papilomavírus humano (HPV), responsável por 70% dos casos de câncer de colo do útero, chegará à rede privada de saúde do País - clínicas, laboratórios de análises clínicas e hospitais. A Gardasil, do laboratório Merck Sharp & Dohme, acaba de receber o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A vacina combate quatro tipos de HPV - aqueles que respondem pelos casos de câncer de útero (tipos 16 e 18) e responsáveis por 90% das verrugas genitais (tipos 6 e 11). A Gardasil é indicada para mulheres de 9 a 26 anos de idade não infectadas. A aplicação é feita em três doses - a segunda é dada dois meses depois da primeira e a terceira, após seis meses da dose inicial. O laboratório ainda não definiu valores. A julgar pelos preços praticados nos Estados Unidos, com cada dose da Gardasil sendo vendida por US$ 120, o preço limitará o uso da vacina para mulheres de baixa renda. Por esse preço, a chance de o produto entrar na rede pública também é nula. ‘Estamos conversando com mais de um laboratório (a GlaxoSmithKline tem a vacina em fase de teste clínico). Hoje mesmo tive uma reunião com eles, mas, por enquanto, não há possibilidade’, diz Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde. ‘Vamos avaliar a relação custo e efetividade e, então, sugerir um preço razoável.’ O tempo de imunização da Gardasil é de cinco anos. O prazo também é questionado pelo governo federal. ‘A duração da imunização ainda é muito pequena para que se pense em incluir no calendário oficial’, continua Barbosa. A ampliação da cobertura da vacina e sua eficácia em mulheres com mais 27 anos estão em fase de estudo. EFEITOS COLATERAIS A vacina tem efeitos colaterais, mas são poucos. Durante as pesquisas, 85% das voluntárias relataram sentir dor de cabeça, febrícula e inchaço no local da aplicação. Os sintomas são do hidróxido de alumínio, um composto adicionado a algumas vacinas para turbinar o sistema imunológico. O HPV é transmitido pelo contato sexual. Não precisa penetração para haver contaminação. Ela pode ocorrer em qualquer tipo de contato com a área genital, mesmo o oral ou por manuseio -os homens atuam como vetores da doença na transmissão do câncer de colo do útero. Na maioria das vezes a infecção não tem sintomas. Algumas mulheres sentem coceira, têm corrimento ou dor durante a relação sexual. O HPV pode ser detectado pelo papanicolau, exame ginecológico que checa alterações nas células do colo do útero. Só neste ano, serão 19.260 novos casos de câncer de colo do útero no País, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O Instituto Butantã, em São Paulo, também desenvolve a vacina, mas os estudos ainda estão no início. PROTEÇÃO Apesar de a vacina estar chegando no mercado, a prevenção ainda é a melhor arma contra a doença. De acordo com o ginecologista Ricardo Massuo Meiwa, “os cuidados para não contrair o HPV - que sem tratamento pode se tornar o câncer de colo do útero -, é usar preservativo”. “Evita-se aí inúmeras outras doenças além do HPV”, disse ele. Não há levantamento formal sobre quantas jovens contraem o HPV por ano em Franca. Mas, de acordo Ricardo Massuo, em seu consultório pelo menos 20% de suas pacientes que possuem HPV têm idades entre 10 à 23. “Os jovens têm que se prevenir, pois iniciam cada vez mais cedo a ter relações sexuais”, explicou o ginecologista.

Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.

Comentários

Comentários