Um dia depois do feriado de Independência e dois após o protesto de trabalhadores contra a demissão de mais da metade dos funcionários e o atraso no pagamento dos salários de agosto, a unidade de Franca da fábrica de calçados Pé de Ferro tentou voltar ao normal ontem. A administração teve expediente normal, mas a produção só voltará a funcionar na segunda-feira. Agora, o temor dos funcionários é que a empresa anuncie que fechará definitivamente as portas. Os responsáveis pela Pé de Ferro não se manifestaram oficialmente.
Os salários e verbas rescisórias não pagas deverão ser saldados até quarta-feira, em acordo feito entre a direção da firma e o presidente do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçados de Franca, Paulo Afonso Ribeiro. No entanto, o temor maior dos funcionários é que a empresa anuncie a demissão dos 40 funcionários remanescentes e a transferência de toda a produção para a Pé de Ferro Nordeste, instalada em Cascavel (CE) há sete anos. Lá, inclusive, a crise parece não estar muito perto. Os salários teriam sido pagos na quarta-feira e o ritmo de produção continua na ordem de 2 mil pares por dia, ou seja, dois terços da capacidade produtiva da unidade cearense, contra pouco mais de 200 pares/dia em Franca.
Na unidade de Franca, a reportagem atestou, do lado de fora da empresa, que alguns trabalhadores obtiveram autorização para entrar. Os demitidos puderam pegar objetos pessoais, enquanto outros que continuarão trabalhando foram para a fábrica adiantar serviço.
Segundo um funcionário, que não quis se identificar, os pouco mais de 40 trabalhadores que ainda não foram demitidos o serão, nesta segunda-feira, às 6h30, horário de início do expediente da manhã, através de comunicado que será feito no refeitório. “Tanto que já estou acertando com outra fábrica da cidade”, disse o funcionário, abordado pela reportagem ao sair da fábrica, na Rodovia João Traficante.
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