A empresa Pé de Ferro demitiu 33 dos 80 funcionários da unidade de Franca, não pagou os salários de agosto dos demais empregados e as verbas rescisórias de outros 14 que haviam sido mandados embora duas semanas atrás. A falta de pagamento fez cerca de 50 funcionários bloquearem a entrada da fábrica, localizada na Rodovia João Traficante, no final da tarde de quarta-feira.
O que se via era a perplexidade dos demitidos e apreensão dos que haviam escapado da degola. Apesar da tensão que dominava o clima, alguns funcionários dançavam, acompanhando a música que era tocada pelo carro de som do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias de Calçados de Franca.
Segundo os próprios funcionários, a agonia da empresa começou em janeiro, com queda brusca na produção, e a crise explodiu de verdade há cerca de dois meses. No dia 29 de julho, todos os funcionários receberam férias coletivas. Há duas semanas, 14 funcionários foram demitidos e a quinzena dos demais, não foi paga.
Na segunda-feira, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores, Paulo Afonso Ribeiro, se reuniu com dirigentes da empresa e dois representantes de uma firma de consultoria em negócios e administração de São Paulo contratada para ajudar a Pé de Ferro para saber, principalmente, se a fábrica de Franca seria mesmo fechada e se toda a produção seria transferida para a unidade de Cascavel (CE). A transferência da produção para o Ceará foi negada. A crise financeira, não.
Ontem, na hora do almoço, os chefes tiveram a missão de anunciar a 33 de seus subordinados que eles passariam o feriado sem emprego, dinheiro e previsão de quando iriam receber. Já atormentados com os boatos de que a firma fecharia as portas em Franca, chamaram Paulo Afonso Ribeiro para comandar a greve.
Este, por sua vez, aconselhou aos trabalhadores encerrarem o expediente para em seguida darem início às manifestações. Dito e feito: às 16h30, os funcionários foram para a frente do portão da fábrica e impediram um caminhão sair da unidade lotado de mercadorias. O veículo só saiu da empresa uma hora e meia depois, vazio.
Às 17h45, Paulo Afonso, mais um diretor do sindicato e dois representantes dos funcionários se reuniram com diretores da empresa. Cerca de 45 minutos depois, o acordo: a empresa prometeu pagar os salários dos funcionários remanescentes e as verbas rescisórias dos demitidos até quarta-feira. “Demos o voto de confiança, mas com o pé atrás”, disse o presidente do sindicato.
O OUTRO LADO
A empresa não se manifestou oficialmente. Um funcionário, que pediu para não ser identificado, disse que o proprietário, Márcio Andrade, não se manifestaria por estar “abalado psicologicamente”. No auge, a unidade de Franca chegou a ter 300 funcionários produzindo até 2 mil pares de calçados por dia. Hoje o quadro está reduzido a 40 trabalhadores e não chega a produzir 250 pares ao dia.
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