Há seis meses, Lauro e Everton deixaram a cidade de Sertanópolis, no interior do Paraná, e desembarcaram em Ibiraci (MG) para trabalharem na colheita de café. Depois que conheceram um criminoso mineiro abandonaram a vida na roça e resolveram apostar em um negócio mais lucrativo: “cultivar” dinheiro.
Quando a atividade começou a prosperar, a Polícia Militar entrou em campo e estragou tudo. Os dois lavradores foram presos em flagrante ontem com R$ 3,1 mil em notas falsas. Um homem de 31 anos também foi detido acusado de vender as cédulas a eles.
Há vários dias, a polícia investiga o derrame de notas falsas em Ibiraci, mas chegou por acaso aos envolvidos. No início da tarde de ontem, o soldado Ferreira, o cabo Juliano e o subtenente Luiz Corsi foram até uma casa do bairro Santa Helena para checar a denúncia de que moradores do local haviam feito compras com cheques furtados e recebido cerca de R$ 2 mil como troco.
Ao vistoriarem o local, encontraram os produtos adquiridos ilicitamente e 62 notas falsas de R$ 50. A imitação era quase perfeita, com papel de boa qualidade, números de série diferentes e marcas d’água.
Um “pequeno” deslize, no entanto, fez com que os policiais descobrissem o golpe. “Para não misturar o dinheiro, tiveram o cuidado de escrever com caneta a expressão “falsa” em uma das cédulas. Olhamos as outras notas com mais atenção e notamos que eram todas falsificadas”, disse Ferreira.
Parte do dinheiro foi encontrada na carteira do lavrador Lauro César Galea Lauredo, 18. Ele foi preso no local. O restante estava na carteira de Everton de Matos da Silva, 19, detido enquanto colhia café em uma fazenda do município. Indagados sobre a procedência, disseram à polícia que compraram as cédulas por R$ 10 cada uma de um homem chamado Célio Gonçalves da Silva, 31, o “Celinho”.
TESOUREIRO
Por mais irônico que possa parecer, o suposto fornecedor das notas falsas é tesoureiro do Sindicato Rural de Ibiraci. Ele foi preso na porta da entidade e reagiu à abordagem policial, tornando necessário o uso de força física para contê-lo. Levado à delegacia, negou qualquer participação no crime, mas não escapou do flagrante.
“Já estamos trabalhando na ocorrência há dez dias e registramos três ocorrências de apreensão de notas falsas. Num dos casos anteriores, também tivemos a informação de que ele teria vendido as cédulas. Podemos confirmar o envolvimento dele com provas materiais”, afirmou o subtenente Luiz Corsi.
Diante dos fatos, o delegado Wagner Antônio Rodrigues autuou em flagrante Célio, Everton e Lauro por uso de moeda falsa. Eles estão recolhidos na cadeia da cidade. A pena prevista para este tipo de crime varia de 3 a 12 anos de reclusão. A polícia não descarta a hipótese de a falsificação ser feita em Ibiraci, mas acredita que o dinheiro tenha sido importado de um centro maior. O caso deverá ser remetido à Justiça Federal de Minas Gerais.
Fale com o GCN/Sampi!
Tem alguma sugestão de pauta ou quer apontar uma correção?
Clique aqui e fale com nossos repórteres.