Abaixo a hipocrisia


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A promessa de liberação de R$ 100 milhões do Fundo Nacional Penitenciário para a Secretaria Estadual da Administração Penitenciária paulista, em julho, não passou de mais um jogo de cena orquestrado pelo Governo Federal. Ao invés de solidariedade com o povo de São Paulo, o que presenciamos foi pura manobra política, já que este “novo” dinheiro à disposição do governo paulista é oriundo dos cortes de verbas federais para a saúde pública da Capital paulista. Senão, vejamos: em 2005, primeiro ano da gestão de José Serra na Prefeitura, houve um decréscimo em 15% no repasse federal para o SUS da Capital. Enquanto a gestão passada, comandada por uma aliada do presidente Lula, recebeu, em 2004, 840 milhões para o setor, Serra pôde contar com apenas R$ 708 milhões em 2005. Uma injustificável redução de R$132 milhões, que agora foram prometidos ao Estado sob o manto da “benevolência federal”. As disparidades não se esgotam nisso. Na principal conta de receita do programa de transferência de recursos do SUS, a “Gestão Plena Municipal/FUMDES”, a redução foi ainda maior, na casa dos R$ 163,9 milhões. Por outro lado, visando a dar uma mão para maquiar as contas da ex-prefeita, Lula antecipou os recursos de 2005, com a transferência de R$ 70 milhões no último dia de 2004. Mesmo com essa ajuda imoral, Marta Suplicy deixou a Prefeitura com um déficit de R$ 2 bilhões, resultando na formação de uma prosaica fila de credores na prefeitura. Como se observa, nestes quatro anos de governo, Lula colocou a Nação a serviço dos interesses de seu partido. Aos amigos, tudo. Aos opositores, o rigor da lei e da burocracia. Apesar deste quadro de quase nenhum apoio federal, Serra, com sua competência e responsabilidade, acelerou a construção do Hospital Tiradentes, na zona Leste, e iniciou as obras do Hospital do M´Boi Mirim, na zona Sul, garantindo aproximadamente 600 leitos à cidade - para se ter uma idéia, em toda a gestão Marta nenhum novo leito hospitalar foi concretizado. Para amenizar os efeitos da redução dos recursos federais, Serra aumentou a aplicação de recursos municipais em Saúde em 101,6% em relação ao primeiro ano da gestão anterior. Em 2001, foram investidos R$ 922 milhões. Em 2005, Serra destinou R$ 1,86 bilhão. É nítida a atenção especial que a atual administração tem dedicado à Saúde. Pesquisa recente do Ibope mostra a satisfação dos moradores da Metrópole com os serviços. A nota atribuída pelo atendimento geral foi de 8,7. Se por um lado o governo federal preza por proeminentes espetáculos vazios de mudanças na vida dos brasileiros e, guiado pela hipocrisia, prefere pisotear a ética e o compromisso com a democracia, por outro o cidadão de São Paulo sabe que não está sozinho. A conjuntura recente da saúde pública paulistana comprova que ainda há dirigentes políticos que batalham pela dignidade de cada cidadão. GILBERTO NATALINI é médico gastro-cirurgião e vereador em São Paulo

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